Yes

Famosa foto do álbum Two Virgins foi feita no apartamento da Montagu Place

Na cabana solitária,
entre livros e
lennon.
Você é parte do caminho,
uma ponte para além
do silêncio.
Uma palavra “sim” no teto,
uma capa de disco,
liberdade & amor.
Os dois nus,
Montagu Place, 34
fica no extremo leste.
Trepando nas copas
árvores tão altas
quanto os sonhos.
O tempo não existe realmente
é apenas um soluço no universo
a poeira no pelo do gorila
imponente e brincalhão.
que se movimenta majestoso
nos castanhos olhos que o vê.

E cavalga a amazona
guerreira,
moderna heroína.
Que não é princesa,
presa em torres
ancestrais.
É ela que comanda
o Suave Desfile
pelas portas abertas do sonho.
Cavalga livre,
as areias do tempo,

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Brasil dividido ou Brasil real?

Caso haja um endurecimento na forma de governo do país, seja para a direita ou esquerda, serei contra. Extremos não aceitáveis. Há quem julgue o posicionamento do outro usando uma visão tão retrógrada acerca de qualquer assunto, porque é mais fácil rotular do que parar e pensar no que a pessoa está dizendo. É mais fácil ofender, tentar minimizar as pessoas, fazer ameaças, do que parar e pensar. Se você crê que só existe um lado nesse jogo em que todos (todos mesmos) irão sofrer, você está enganado. A solução não passa pela rapidez de 1, 2 ou 10 mandatos. A solução não pode ser imediato, e todos oferecem justamente isso, o fácil. Fazem porque não querem mexer em suas estruturas, em seus conchavos por debaixo do pano, com seus falsos moralismos. Não farão porque, para eles, não é interessante. Eles não ganham com isso, nós só iremos perder sempre. O problema era o governo do PT, daí ocorreu o que ocorreu e nada foi resolvido, exatamente NADA.

Denúncias que não são averiguadas da forma que deveriam, pois esbarram no tal foro. Precisamos de uma mudança maior. A começar pelas câmaras municipais, prefeituras, assembleias estaduais, distritais ou o que seja. Precisamos não apoiar de forma alguma o que é, claramente, contrário a Constituição. Se você acha que ela é falha e não funciona, mude os federais que podem fazer isso. Mas respeitem, acima de tudo, respeitem realmente o que lá está.
Não adianta vir pregar que é contra a corrupção, como se ela fosse um erro só político, como se não fosse um erro de sociedade, de educação, de valores que aceitam pequenas migalhas de facilidades. Somos um povo marcado com esses exemplos diariamente, mas só importa o erro do outro.
Uma sociedade que não está pronta para uma mudança drástica (cultural e comportamental) está fadada a desaparecer.
A facilidade com que pretendem resolver os problemas de séculos de formação de nossa identidade enquanto povo, é a mesma com a qual “Um conhecido para resolver um probleminha”. É uma questão de cultura, de educação e de escolaridade. Não será resolvido assim e nem agora. Não use o momento só para comprovar o quão boçal você é.
Não faço nenhuma questão de amizade com quem supõe ser superior a qualquer outra pessoa. Quem demonstra desprezo pelo seu semelhante, sim porque somos todos humanos (por mais que alguns não se lembrem, ou pareçam ser).
O jogo polítiqueiro esconde os oportunistas, é nos detalhes que eles agem, é no silêncio. Agora mesmo estamos sendo prejudicados por essas aves de rapinas.

Que sua ação não seja só nos apllicativos de conversa.

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Para Ana

foto_ pedro feitoza ceará-mirim – rio grande do norte

Ana tem voz de vento na cara
Desses que refrescam em dias quentes.
Ana tem voz de certeza na partida
quando se sabe que o melhor ainda está por vir.
Ana tem voz que arrepia a nuca,
como um carinho no meio das costas.
Ana tem voz de quem sabe das dores
de caminhar descalço por quilômetros.
Ana tem voz de mulher, menina, artesã de suas teias
como se o tempo habitasse um corpo.
Ana tem voz e cabelos soltos,
essa liberdade que só possui quem vive sua verdade.
Ana tem voz de aconchego amigo,
para aquelas noites em que só o vinho não é suficiente.
Ana tem voz boa para caetanear, buarquenear, nandonear
Zeppelinear, cazuzanear, mas é melhor quando é ela mesma

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Letícia toma sol

Letícia toma sol
para secar os cabelos solares.
Um leve quase sorriso,
Monalisa sem moto.
Calça legal, confortável mapa de sagas antigas
respira arte, fala de verdades.
Guarda no peito o pico das montanhas
lar silencioso de seu desejo por liberdade.
Olhar que vai além do que está adiante,
percebe que há mais,
que o caminho vai muito além dos passos.
Por isso para, espírito inquieto
de mulher ancestral,
de quando andava com lobos pelas matas.
Letícia é liberdade nua e crua,
daquela que se aprende a cada dia,
daquela que explode dentro do peito
como um orgasmo na alma.
Letícia é sol.

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Andra nos trilhos

foto de Andra

Ela está feliz?
Caminhando por entre os trilhos,
com aquele que chegou mais perto
foi além das barreiras,
foi além das aparências,
foi além porque pode ir.
Deu sinais de querência,
a loira mulher de olhos intensos.
Me lembra um filhote de gato,
assustada e feroz,
entre as armadilhas dos dias.
Personagem das melhores histórias,
vive sua realidade, apenas sua.
Mas divide alguns sonhos
com quem sabe atravessar
a cortina da amizade.
Uma vez, publicou uma foto
sentada com o namorado,
estavam nos trilhos de trem,
que passavam por uma ponte.
Me encantei pelo cenário,
Me lembrei de meu caminho,
e tantas histórias vividas ,
nem sempre rodando nos trilhos.
Mas estavam bem, o casal
sentados sobre os trilhos,
cúmplices nessa jornada,
afeitos aos afetos.
Silencioso olhar de quem gosta,
e vive apenas,
porque viver é a sina
dos que rodam fora dos trilhos.

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Café da tarde

Água que se prepara para ebulir
borbulhar,
dançar no ritmo frenético,
atiçado pelo fogo.
Perto, na pia, estão os aparatos
preparados para o liberar o aroma,
que será recebido pelo olfato,
como amante insaciável
do forte sabor.
Desastrado, que sou
caminho com cuidado
levando a água.
A derramo sobre o pó escuro
e logo somos invadidos
como se o corpo todo já se esquentasse
e despertasse de um sono qualquer.
O som da água atravessando o pó
o filtro,
caindo na jarra.
Aumenta a ansiedade e vontade.
Papo animado em volta da mesa,
poesia, risada e Belchior em “Alucinação”.
Xícara prontas,
recebem a bebida em sagrada comunhão,
amizade firmada no gosto vivo do café,
enquanto a xícara esquenta
as mãos da poeta Lilian Aquino.

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“Bela tarde de domingo, quantas alegrias”

Bom poder ser uma distração
na sua tarde monótona de domingo.
Poder dizer como andam as coisas,
como ando me sentindo,
o que ando pensando.
E ver que sorri,
claro que me sinto bem,
não sei como não havia pensado nisso antes.
Acontece com todo mundo, afinal de contas,
todos rimos dos menores tropeços dos outros.
Depois pedimos desculpas, dizemos que era brincadeira,
tudo se acerta, tudo fica bem,
afinal de contas, o mundo é bem humorado.
O mundo não é um longo deserto
em que caminhamos com cuidado,
prestando atenção a tudo,
procurando um referencial de direção.
O mundo é um pular na piscina numa tarde quente,
é dar gargalhadas a tordo e direito.
É, no fundo, agir igual a todos.

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A Queda! Texto 2

A primeira coisa que você precisa saber realmente sobre essas postagens que irei fazer é: Não citarei nome de meus médicos e nem do que me foi receitado, pois isso diz respeito ao meu problema de saúde e o que preciso, e o tanto, em que preciso melhorar em minha vida. A dica óbvia que deixo aqui é: Procure um profissional de saúde, não acredite em receita milagrosa, não espere que seja de um dia para o outro, não pense que vai ser moleza. Ah, também não pense que você faz parte de uma minoria que consegue perder peso de forma saudável e responsável sozinho. Não que duvide de você, eu só não acredito nessa possibilidade em mim.
Há alguns outros fatores prejudiciais no meu caso que são o álcool e o tabagismo. Bebo e fumo desde muito cedo e, confesso que meu pendor ao destilado não é de grande ajuda. Fumei cigarros dos 13 aos 32 anos, um dia resolvi parar. Estava fumando e conversando com um amigo e quando terminei o cigarro disse que não fumaria mais cigarros. A partir dos 15 anos  comecei a fumar cachimbo e logo depois, creio que aos 16 ou 17, a fumar charuto. Ainda não parei com ambos, pois já não os fumo com a mesma regularidade. Posso dizer o mesmo do álcool. Em meados de fevereiro deste ano eu pensei em dar um tempo da bebida, ficar uns meses de boa. Sempre tive esses tempos de não querer beber ou fumar, então não era novidade.
Eu sempre fui obeso, desde criancinha. Então para mim é normal ser assim. Pouquíssimas vezes eu fui realmente magro (ainda acima de meu peso ideal, mas abaixo dos 100 Kg), ter vivido 40 anos assim me fizeram com que me sentisse bem. Sempre caminhei muito, por longo tempo, longas distâncias e sem me cansar além do normal.
Mas, de uns anos para cá, já não tinha a mesma condição física e nem ânimo para sair de casa. Seguia trabalhando dentro da normalidade e, para mim estava bem; Sabia que tudo isso era questão de perder uns poucos quilos e minha respiração melhoraria, só que não era bem assim. Me sentia pressionado com todos os meandros insalubres de ser uma pessoa concursada esperando pela eterna chamada por conta do estado, que aliás nunca veio. Outras infelicidades em minha própria vida contribuíam para que eu fosse alimentando o meu segundo maior inimigo, uma ansiedade incontrolável que havia criado uma barreira em mim e a alimentação controlada e sadia.  Uma vez por mês reunia ou poucos amigos que tinha e fazíamos um churrasquinho em casa, pois eu não conseguiria atravessar a cidade até a casa deles, mas a carne era uma desculpa para litros e litros de cerveja, cachaça e uísque.
Um dia estava fazendo compras e, no meio de toda aquele burburinho, de buscar pela memória a lista do que comprar, e fazer algumas contas. O mundo deu um loop, tudo parecia explodir no meu peito e  comecei a transpirar muito, fiquei parado, as mãos segurando firmes o apoio do carrinho, uma ânsia de vômito, um medo absurdo de estar ali, cercado.
Larguei o carrinho e saí, caminhei até minha casa, que para os meus padrões físicos da época não era perto, evitava as pessoas na calçada, evita os olhares, os esbarrões. Andei o mais rápido possível. Cheguei em casa, tranquei a porta, fui pro meu quarto e tive uma crise de choro, Fiquei três semanas sem conseguir abrir a porta da frente de casa, com medo do mundo, de tudo. Ia para o fundo e tentava espiar pela lateral da parede se havia alguém parado em frente ao portão. Espiava pela fresta das cortinas. O mundo queria acabar comigo e eu sabia que ele conseguiria. Não fui o mesmo desde então. Não atendia aos telefonemas, fiquei imerso em um mundo que, apesar de estar na minha mente, eu não conhecia. Tive que aprender a caminhar naquele terreno inóspito.
Fiquei assim, muitos meses, me sentindo mal, mesmo que, depois e, aos poucos, conseguisse sair de casa para ir a mercados perto, ou qualquer outra atividade. Mas não sem antes desenhar em minha cabeça todo um caminho que iria percorrer, na verdade eu criava dois caminhos, um para a ida e outro para a volta. Nunca me demorava fora de casa e, sempre que chegava, estava suado demais, mal conseguindo respirar ou pensar direito no que tinha acabado de fazer. Era um robô, sem consciência e sem memória, que apenas realizava o que tinha que ser feito.
Assim, fechado em casa, em mim, não havia muita coisa que poderia fazer além de beber, fumar e, uma vez por mês reunir dois amigos de extrema confiança para que viessem em casa papear, ouvir música e, talvez, eu conseguisse relaxar.
Assim, sem perceber eu fui perdendo o pouco de gosto pela vida que me restava. Só faltava me sentar no fundo do poço e esperar que alguém o fechasse. Aos 39 anos eu me sentia morto por dentro.

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Porque deixei de gravar vídeos falando sobre livros para o Youtube.

Eu larguei o “mundo booktuber” porque acho que está muito chapa branca, tudo muito parecido demais. Estava vendo muita gente falando dos mesmos livros, praticamente com o mesmo discurso e tudo maravilhoso, toda capa linda. Não dá pra se iludir tanto. As estantes viraram altares. Ou uma mistura de colecionismo, exibicionismo, necessidade de provar que se é inteligente por que leu tais e tais livros. Ou uma competição para ver quem lê mais livros no ano, quantas páginas são lidas por dia, quantos livros recebeu de parceria, ganhou de promoção e tudo “de graça”, nada é de graça. Algumas editoras ganham muito em cima de todo o esforço que esse pessoal faz, por um preço irrisório para a indústria.
Fiz grandes amigos no meio, tem pessoas que respeito muito e admiro muito e, em geral, não  são aquelas que procuram dar aula de literatura no Youtube (alguns até poderiam pois são professores realmente e atuam na área), mas preferiam um bate papo em que apontam alguns dados interessantes sobre determinado autor ou obra. Tem também quem não é da área (ou ainda não era na época), mas se preparava tão bem para seus vídeos e os gravava com tanto cuidado, respeito e esmero que dava gosto assistir. Peguei muita dica importante, discordei muitas vezes, mas sem ficar enchendo o saco das pessoas sobre suas opiniões. Cada um que tenha a sua, nada de ficar replicando o que o colega disse como se fosse verdade absoluta.
Outra coisa que me incomoda bastante é o formato engessado dos canais literários, parecem feitos em linhas de montagem. Estantes viraram cenários cheios de cacarecos, cheios de objetos que, de vez em quando, chamavam mais a minha atenção do que o discurso maçante que já tinha ouvido em outros tantos canais. Deixei de seguir muita gente e outras nem comecei a ver o que produziam, pois já estava saturado do formato.
A mania besta de pedir que a pessoa dê o like antes de assistir ao conteúdo é uma coisa tão de mendicância, pois a pessoa dá o like se quiser, se gostou do seu conteúdo, se teve ali algo interessante. Começo a ver um vídeo e a pessoa vem pedindo like logo de cara, eu nem termino de ver.
E agora todo livro é maravilhoso, todo livro é aquele que “Você tem que ler para fazer parte do grupinho”, não existe isso de “vc tem que fazer isso”, faz quem quer. É o pior argumento para um convite para a leitura. Tentar impor seu gosto (ou da pessoa de quem você copiou as suas falas) é chato demais. Existe uma forma que funciona e você tem que descobrir qual é. Não vale, também ler o resumo na internet e depois já ir ligando sua máquina, posicionando seus refletores e rebatedores, o microfone e tudo o mais se não há um conteúdo inédito. Mesmo que você esteja falando do livro mais antigo, será a sua leitura do livro, a sua experiência. Não há necessidade de copiar ninguém. Alguns têm muita pose e só isso, conteúdo fraco.
E as editoras mandam mimos e mais mimos, e as caixas literárias inventam moda e mais moda e vocês dizem o mais do mesmo. Tem muito livro bom realmente, muito livro ruim e muito caça níquel. E o pessoal compra essa ideia como se estivessem inventando a roda, salvando vidas. Não está não. E uns vídeos de book haul intermináveis, umas coisas maçantes com um tom de “olha sou foda, recebi isso de tal editora, de tal editora veio isso”, como se fosse uma coisa única no mundo, ninguém recebeu antes, só você, o pica da biblioteca. Trocando em miúdos, ficou muito chato saber dos livros através da maioria dos booktubers. Acompanho o canal de três pessoas apenas. O de uma amiga que consegue falar bem de livros de uma forma direta e sucinta manda o recado, gagueja, arruma o óculos e dá seu recado, tenho inveja dela e já disse. O outro é de um amigo, que não tem papa na língua e não faz rodeio para dar a sua opinião que, nem sempre é a que a editora quer ouvir, mas ele faz o dele. O terceiro canal também é o de uma mulher que chamo carinhosamente de “Sra. do desgraçamento, Ela fala com paixão real sobre o que lê, xinga, arregala os olhos, balança a cabeleira como se fosse a Janis Joplin dando um dos seus berros incríveis. Nos três casos eu sinto a sinceridade e o gás que eu queria ter.
Assim como nunca participei de rodas e grupos de leituras pelo simples fato de fazer no meu ritmo. Leitura pra mim é sagrada e precisa ser prazerosa, preciso de tesão pra ler. Se for pra fazer corrido, pra me sentir parte de algum grupo, não faço a mínima questão. Já tentei algumas vezes e saquei que não é a minha praia. Adoro falar sobre livros com meus amigos, adoro quando alguém me indica um livro do jeito certo, sem parecer uma imposição porque senão não saberei do que os jovens estão falando, quero mais que se foda esse ritmo frenético em que, desconfio, não conseguiria aproveitar uma boa leitura de forma que creio ser decente. Parar um pouco, pensar, viajar na história, criar uma trilha sonora mental para aquilo que leio. Funciono de outro jeito.
Não sou muito paciente, sou chato mesmo, desbocado, marginal como eram meus autores preferidos, errático como a vida. Esse formato já caduco não me satisfaz. Pensar em toda uma estrutura para preparar um material que, eu sei, nunca fica do jeito que eu quero. Cansei disso tudo. Ainda admiro muito e respeito a mulher que me fez gostar de ideia ter um canal sobre literatura. Repare na simplicidade estética do vídeo e na riqueza da forma em que ela fala sobre os livros. Vão dizer, alguns, que é pelo fato de ser professora e tudo o mais. Vou contar um segredo, eu também sou, assim como tiveram outros booktuber que também eram professores, editores, estudantes de letras, leitores apaixonados.
O livro vem perdendo espaço nos vídeos sobre literatura. Há ego demais e leitura de menos.

“E assim torto e de verdade,
com amor e com maldade,
um abraço e até outra vez.

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foto de @lorainelys

Sentada à porta
contra a luz forte lá fora,
olhando como encara a si
no espelho da realidade.
Alice sem o Coelho Branco,
decidiu não fazer pelos outros.
Sair por aí, curtir o passo.
beber um pouco, rir um tanto
e caminhar pelo mundo,
como se fossem as ruas de sua “vila”.
Mas tua “vila” é o mundo,
teu passo livre, teu queixo é norte,
teu peito é feito de desafio.
O que vê através das lentes de teus óculos
com tão aguçado olhar?
Não há descanso para quem é real.

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