O primeiro passo de uma longa caminhada! Texto 1

Este é , com certeza, o texto mais difícil que eu já escrevi porque toca em alguns pontos da minha vida íntima com os quais fui negligente durante toda a minha vida adulta.  Falo da minha saúde e de como cheguei bem perto de morrer. Não acredito nisso de que “Ah era tão novo, morreu antes de hora” Você morre quando seu corpo para de funcionar e pronto, não importa a idade e não importa o tanto de coisa de sua lista de desejos você realizou ou não. Você vai morrer, fato e ponto. Então já avisa às pessoas que ainda não sabem. Posso, inclusive morrer enquanto escrevo esse texto e isso me deixaria muito puto, pois tem quase três meses que venho pensando nele.
Ser negligente com a própria saúde não é um defeito apenas meu, Muitos homens adultos não procuram médicos, não fazem exames preventivos, ou qualquer que seja relacionada ao assunto. As desculpas são as mais variáveis, mas, creio eu, servem para mascarar apenas duas: medo e desleixo. No meu caso foi por puro desleixo mesmo. Não me sentia doente, não sentia nenhum sintoma de nada, fui ter minha primeira dor de cabeça aos 3o anos. Mas estava doente, seriamente doente, com risco de morte. Fato que, novamente ressalto, todos estamos, até os saudáveis. Mas estamos ocupados demais prestando atenção no que o outro está fazendo com sua vida do que com o que fazemos com a nossa. E somos suicidas complacentes, adoráveis suicidas cotidianos com hábitos que nos matarão pelo conjunto da obra.

Apesar de a história ser sobre mim, ela não começa comigo.
Mas vamos começar falando do que deu o primeiro click na minha cabeça de que algo muito sério poderia acontecer com minha vida. Mais ou menos em março de 2015 em uma conversa com meu tio Arnaldo, ele me disse que havia sido diagnosticado com uma síndrome que era hereditária, degenerativa e fatal; Falo de um tipo de Ataxia chamada Síndrome de Machado-Joseph (Para saber mais clique aqui)    Ele tinha caído em casa e fora para um hospital, fez exames e foram buscando a razão de tantas quedas pelos anos a fora e encontraram. Conversamos um pouco sobre aquilo e ele me pediu que fosse conversando com meu pai sobre o fato. Meu tio Arnaldo é mais do que irmão de meu pai, é um dos meus melhores amigos, uma pessoa que amo muito, sempre tivemos ótimas conversas sobre cultura, samba, comunicação. Ele sempre me fez pensar muito, sempre foi um exemplo para mim. Saber que ele estava doente e que iria morrer por conta dessa doença me fez chorar muito porque não compreendia. . Conversei com meu pai alguns dias depois porque quis falar de forma calma e explicar que apesar de tudo a mensagem de Arnaldo era “Estou bem.” Ele já havia começado os tratamentos pois, apesar de ser incurável e fatal, você pode ir “driblando” um pouco os efeitos dela. Não pode desistir e, a única certeza que tenho desde o primeiro momento, é que Arnaldo não desistiria fácil.
Como ainda não há cura, tem que se ir testando alguns tratamentos, muita leitura e pesquisa são importantes. Dividir a informação de forma responsável então nem se fala.
Após o diagnóstico e traçar os primeiros passos que seriam dados ele veio à Tupã (isso levou uns meses) e fomos, meu pai e eu, buscá-lo no aeroporto em Marília. Quem o conhece sabe que ele é uma pessoa sorridente, bom astral, nos deu um abraço carinhoso e começamos o retorno. Paramos para um café e ele foi contando como andavam as coisas com ele, com minha tia e meus primos, com o emprego, como andava a saúde. Daí ele disse uma frase que me fez pensar muito: “Só fica doente quem vai ao médico.” Claro, faz todo o sentido, a partir de sua ida e análise dos exames você fica sabendo como está realmente. Se ainda está saudável ou se tem que tomar cuidado com alguma precaução em alguma área. Daí realmente você está doente, você sabe o que tem. Até então a gente “sente um troço” ou “Uma dor que começa na cacunda e termina na espinhela”, como diria o Tom Jobim. Nessa visita que ele fez, explicou melhor a síndrome e como ela havia acometido minha avó (na época nem desconfiávamos de que tal doença existia. Ela é, relativamente nova), algumas outras pessoas do tronco familiar dela, vinda do tronco português que nos formou. Mais alguns parentes também já haviam tido a mesma coisa, alguns morreram e outros estão aí na luta. Agora sabemos o que é.
Ouvindo os relatos e ligando os pontos: bisavó, avó, tio, primos de segundo grau desenvolvendo a doença a partir dos 50 e poucos anos, tudo muito perto de mim para que eu não me preocupasse demais). Escutei atento e anotei mentalmente os detalhes e, como um tolo, ia fazendo check list no meu próprio histórico das dificuldades apresentadas naquele momento houveram dois que se assemelhavam ao que tenho 1- desequilíbrio e 2 – marcha irregular, às vezes parecendo estar bêbado e explico como isso se adequou em minha mente naquela hora. Muitas vezes enquanto estou parado em pé ou uma bambeada, perco um pouco o equilíbrio mas não lembro de ter caído por conta disso. Eu não consigo andar em linha reta por muitos metros seguidos, vou para os lados e uma leve alteração na minha velocidade de marcha. Aqui deixo registrado que sou um tonto mesmo, sei disso.
Liguei meu alerta e meu sinal amarelo ao mesmo tempo, porque se eles só foram diagnosticados perto dos 60 anos eu ainda tinha uns 33 anos para relaxar, ou 33 anos pra ficar em dúvida. Preferi a primeira opção.
Passado alguns meses deste encontro com meu tio, seguimos conversando normalmente até que uma notícia envolvendo uma outra figura pública e a síndrome mudou algo. Falo sobre a morte do ator Guilherme Karan, Pouco tempo depois, não sei precisar o tempo, meu tio avisa que iria publicar um vídeo falando sobre a sua condição e pediu para que eu falasse com meu pai. O apoiei, até porque a vida é dele e ele sabe o que faz, e esperei. Assisti ao vídeo publicado em sua rede social e depois foi replicado por outras emissoras, canais, blogs, sites e teve um alcance que, confesso, me surpreendeu. Divulgar a doença, convidar para uma conversa franca, buscar e dar apoio é importante, é um ato de coragem. para ver o vídeo clique aqui. Algumas matérias foram escritas e, confesso que não li todas, mas das que li achei essa que deixa o panorama um pouco mais claro, Clique aqui para ler. Depois ele participou do Programa do Gugu e desde então vem falando sobre a Síndrome e como andam as coisas.
A minha história começa contando esse fato que não é sobre mim (diretamente) porque foi isso que deu o clique no assunto minha saúde. A partir deste momento eu percebi que poderia ficar doente realmente, não falo da síndrome, falo de qualquer doença. Mesmo assim não fiz nada. Empurrei com a barriga, que continuava a crescer cada vez mais. Se sou portador de Ataxia? Não sei. Creio que não. Mas estou atento.

eu e meu tio alguns anos atrás

 

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Bom dia aos amigos, e aos filhos da puta também.

“Bom dia aos amigos, e aos filhos da puta a também” Durante anos eu começava meus aqui assim. Até que um dia me chamaram a atenção e fiquei pensando sobre o fato de que, realmente não pegava bem, que não sei mais o quê. Ficar postando palavrão em rede social, que eu já tinha uma certa idade e tudo o mais que fazia todo o sentido, ainda faz.
Mas,agora, depois de repensar minha vida, meus hábitos, minhas crenças, meus gostos e o que eu espero para o futuro, percebi que sinto falta de um monte de coisa em mim. Isso de saudar aos filhos da puta não era só um “soltar um palavrão para parecer rebelde”. Primeiro que o palavrão tem uma função linguística e tudo o mais, faz parte do nosso cotidiano e mesmo de nossa criação enquanto povo. Daí vai ter um, porque sempre tem um que acha que é pra ele o texto, que vai dizer “Ah mas eu não falo palavrão.”, “Em casa meus pais nunca permitiram que se falasse um único palavrão”, Que bom, nunca disseram, parabéns. Mas já devem der pensando num “ah vai tomar no cu”. Costumo dizer que entre pensar e o fazer é a mesma coisa, claro que NÃO SE DEVE GENERALIZAR, há uma diferença entre pensar em mandar seu chefe, seu vizinho, seus pais, o padre, e dizer realmente. Assim como há uma diferença fudida entre pensar em matar uma pessoa e matar uma pessoa. O palavrão tem a sua função em nossa comunicação, serve para um determinado modo de discurso e tudo o mais.
Há também toda uma questão de criação e de família neste contexto (não só no meu contexto mas (aqui sim cabe a generalização) como um todo. Não consigo imaginar meu avô materno, que nasceu no fim do século XIX, permitindo que meus tios e primos mais velhos soltassem um palavrão perto dele. Vale o registro que o que disse agora tem toda uma base de EU ACHO, porque não o conheci. Ele morreu antes de eu nascer. Minha avó materna faleceu quando eu tinha poucos anos, talvez três ou menos ainda. E percebo o que é a criação de fato eficaz quando penso em meu tio José e minhas tias. Claro que todos tem seus defeitos e qualidades e que eu gosto mais de alguns do que de outros, mas os respeito.
Quando penso em meu lado paterno, ambos também falecidos, mas com quem que convivi até o início da vida adulta, e lembro de meu avô Orlando, sempre surgem imagens carinhosas, musicais e hilárias. Sempre achei meu avô uma pessoa extremamente bem humorada, sagaz, talentoso demais com seu violão e seu risinho. Coisas que lembro dele diariamente: Foi ele quem me ensinou a me barbear quando eu ainda era muito novo e o assistia em seu ritual, sentado à mesa da copa, com uma baciazinha de alumínio e seus apetrechos. O pincel que deveria ser mais velho que eu, o creme Bozzano, o espelho diante dele.Ele sempre me dizia uma piadinha. Me ensinou com exemplo mesmo, não dizia que eu iria ter uma aula pra vida toda. Quando ele tocava violão e todos nós cantando (até os desafinados tem coração) e eu ali, pequeno ainda, sendo educado com uma bagagem cultural fudida. Boleros, samba canção, bossa nova, marchinhas. Assim como os bordões que eu, volta e meia sem perceber, repito: porco cane,burrrrrro, Tudo veio dali. Quando ele teve seus probleminhas de saúde e precisou de ajuda, eu pude dar uma forcinha. Um dia ele me pediu que fizesse a barba dele que começava a crescer incomodar. Cara, eu barbeei meu avô. Na minha cabeça tudo passava rapidamente. Já não era mais o menino gordinho que assistia, era o adulto gordo que retribuía o amor. Sempre me lembrarei dele, sempre.
Quando penso na D. Terezinha, minha avó, vejo uma mulher alta, voz doce, uma beleza imensa, uns olhos lindos, uma voz linda de se ouvir cantar e acima de tudo uma fé enorme. Para mim ela sempre foi uma pessoa séria, uma mulher de seu tempo, com suas convicções e sua forma de ver e viver a vida. Uma PEREIRA, (piada interna que só os tios e primos irão compreender). Minha avó tinha medo que sentássemos na muretinha da área da frente (tinha mais de dois metros de altura), que corrêssemos pelo quintal (ela tinha razão, uma vez meu primo machucou a cabeça enquanto brincávamos) Lembro dela assistindo missa pela tv quando já não podia ir à igreja. Lembro do cheiro da comida dela (não vem falar que sou gordo porque comi demais a comida dela que tem o resto da família pra provar o contrário), tento replicar aquele tempero até hoje e nunca fica igual, nunca ficará eu sei. Sinto saudade de ouvir a voz cadenciada dela me chamando “Eduardo”. E quando penso nos dois e vejo meus tios com todos os defeitinhos deles e com todos os acertos, sei que tiveram uma boa criação, fruto do tempo deles.Não me lembro de ter ouvido minha avó dizer um palavrão, nunca. Meu avô soltava um “filho da puta” de vez em quando nas ocasiões em que acontecia algo errado ou de susto.
O que sei é que eu sou assim, goste você ou não, falo e escrevo palavrão quando acho que devo. Sei me comunicar, cresci tendo aulas e exemplos de comunicação vindos dos dois ramos de minha família. Mas sou, assim como eles foram, fruto de uma época diferente, onde bincávamos e brigávamos com a mesma facilidade. Cinco minutos depois estávamos de bem zoando de novo. Você não sou eu, não queira que eu viva do seu jeito, rezando a sua cartilha. Não vai acontecer. Sei respeitar as diferenças e compreender a singularidade de cada um. Se você não sabe: foda-se! Fiquem bem, olhem para os dois lados para atravessar a rua (sempre pra esquerda primeiro). Aproveitem a vida.
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Professor e catador de lixo para completar a renda! Isso é o ESTADO DE SÃO PAULO.

Olha isso. Está acontecendo no estado “mais rico” da união que é governado há 20 anos pelo PSDB Isso é Fato, não é discurso de esquerda, ou centro, ou direita. É um fato. Tem que haver uma mudança na direção desse estado. Não ao PSDB.
E aqui não cabe comentário defendendo esses partidos. Quando se vota por 20 anos num mesmo partido é essa merda que temos. E quem vier fazer piada ou comentário jocoso sobre o fato será tratado com meu mais profundo desrespeito, estejam avisados. Poder ser parente, amigo, colega, conhecido, curioso, transeunte, o que for. Aqui não. Meu mais profundo respeito aos catadores e catadoras de reciclado, aos e as garis, aos chefes e chefas de família que lutam pelo sustento de sua família com a dignidade de seu suor. Que é humilhado pelas pessoas que jogam lixo no chão, muitas vezes estando ao lado desses profissionais. São tratados como verdadeiros fantasmas pela nossa sociedade. Não se diz um “Bom dia” ao profissional de limpeza, não se olha com respeito aos seres humanos que são. Tratados hoje como eram tratados os escravos “tigres” na época de escravatura no Brasil, fadados a carregar os dejetos de seus “senhores”. A diferença é que a porquice não está vinculada à classe social, assim como não está a boa educação dada em casa. A ESCOLARIDADE é dever do ESTADO, mas a educação recebemos em casa dos mais velhos, dos exemplos. O sistema político brasileiro, como um todo, é falho. Assim como a democracia é imperfeita pois precisa ser repensada e reavivada a cada dia, Ser adequada ao tempo em que se vive. A democracia É a única saída para qualquer crise, assim como a educação também o é. Tenho exemplos em minha família de pessoas do mais alto gabarito de escolaridade, assim como tenho de pessoas com baixa escolaridade e uma educação fantástica. Política se faz no cotidiano e por todos nós, quer você aceite ou não, quer você queira ou não. E este É SIM MEU POSICIONAMENTO POLÍTICO APARTIDÁRIO. Não falo em outro nome a não ser no meu. Ah, eu li a matéria e vi o vídeo. Não seja um imbecil replicador apenas.

link da matéria https://theintercept.com/2018/05/26/professor-da-rede-publica-de-sao-paulo-cata-lixo-para-sobreviver/

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Felino

Ronrono a teus pés,
caminho entre suas pernas
passando meu corpo no teu.
Te busco, deitada na cama,
descansando do dia e suas chatices,
busco teu afago querido e quisto.
Mio baixo, manhoso, conquistando um espaço,
Brinco com seus cabelos,
Mordisco a ponta de seus dedos.
Te vejo sorrindo
enquanto meus bigodes acariciam a palma de sua mão.
Você sabe que, por mais que eu fuja,
Sempre volto.
Aqui é minha casa,
Você é minha companhia.

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JBG

Por trás desse nariz vermelho e mágico
há uma mulher que sente e caminha.
Luta e labuta sem parada certa,
porque quem sonha,
quer germinar o mundo.
Quem sabe o quanto dói a alma
De quem, por missão, escolheu
o riso?
Mulher de seu tempo, fortaleza
Destino que se descortina
Podendo ser Ophélia,
preferiu ser Adelaide.
Podendo ser partida,
preferiu ser esperança.
Ser sonho justo para um mundo melhor.
Seus segredos guardados em lágrimas,
Suas dores, tão suas,
Suas dúvidas tão humanas.
É apenas o tempo que passa.

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Céu noturno

Ali, debaixo do céu noturno
com estrelas que nos espiavam
e algumas que corriam pelo céu,
como meus beijos pelo teu corpo,
Nos amamos, como se o tempo
não tivesse fim.
Nos tornamos um,
Na fome de nossas carnes
Na urgência do que sentimos.
Fomos além da noite
fomos até os primeiros raios
da aurora
Nos trazer de volta,
da melhor viagem que tivemos.

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Insônia, mais um capítulo a ler, mais uma música, mais uma volta pela casa escura enquanto o tempo passa. A cabeça não para, dá voltas como se fosse uma roda gigante, um moto perpétuo. Um pêndulo que balança enquanto vago dentro de mim.

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Das leituras e das coisas esquecidas.

Quando, o início do ano, em uma conversa com a Carol (Vontaderia) aceitei a ideia de fazer um diário de leitura de Ulysses, eu já sabia que seria uma missão hercúlea. Claro que o livro impõe respeito, tanto pela sua conhecida dificuldade, tanto quanto pelo número de páginas. Imaginava eu, então, que seria uma leitura arrastada, com um ritmo muito aquém de outras leituras que tinha feito até então. Muito dessa sensação vem da lembrança que tenho da primeira tentativa de leitura do livro.
Minha surpresa, ao começar a ler, foi que, tudo estava tão melhor. A leitura fluiu bem nas primeiras 100 páginas e fiquei olhando pelo retrovisor da minha história para tentar entender o motivo de eu ter sofrido tanto anteriormente.Claro que foi culpa minha. Pensei então em fazer uma postagem a cada 200 páginas lidas para que não ficasse cansativo para mim e para você o relato sobre o livro.
Acontece que algumas coisas da vida extra livro, me massacraram neste período. Passei por uma mudança de endereço e a necessidade de reorganizar o espaço e encontrar um lugar melhor para os vários livros que estavam encaixotados há tantos anos, visto que meu endereço anterior eu não tinha espaço para tudo. Não que tenha muito mais agora, só que tudo está mais confortável, mas está bem melhor. Tudo isso para dizer que a primeira barreira de 200 páginas já foi ultrapassada e segue claudicante a leitura, não por conta dela, mas da vida mesmo que anda tomando meu tempo com a arrumação e tudo o mais. Até porque não sei ainda em que caixa está o meu caderno de notas sobre a leitura, mas assim que o encontrar teremos o tal diário de leitura.

Para dar uma respirada da leitura de “Ulysses” eu também estou lendo (há um tempo enorme, eu sei), “A Livraria 24 horas de Mr. Penumbra”. É uma leitura bem mais leve e descompromissada. Tem sido divertida e assim que terminar pretendo fazer um texto aqui também.

Queria falar de tudo o que chegou aqui na nova casa já, mas ficará para um próximo post. Porém já deixo avisado que foram coisas bem legais e algumas foram boas surpresas. Mas realmente, agora não.

 

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Feliz aniversário Raul

O último escrito de Raul na véspera da morte.

” Hoje é aniversário do meu pé, Ele é dois meses mais velho do que eu…”  esta frase é de um texto escrito por Raul Seixas em um dos seus cadernos e quem quando o li no livro “Baú do Raul” me fez sorrir e me sentir mais confortável em vasculhar um pouco da intimidade do homem Raul, mesmo que o material tenha passado pela escolha de Kika e Tárik de Souza, afinal de contas todos nós já sabíamos muito sobre o artista Raul Seixas. Falo dessa divisão entre eles pois é assim que o vejo. Hoje seria o aniversário de 72 do homem Raul, da mente por trás do mito e das confusões vividas pelo Maluco Beleza.
Falo aqui do filho mais velho de Raul Varella e Maria Eugênia, do irmão de Plínio, do pai de Simone, Scarlet e Vivian e amigo dos poucos amigos.

página interna do livro “O Baú do Raul Revirado”

Raul tornou-se importante para mim quando eu era ainda muito novo, ouvindo-o em fitas k-7 sentado na sala de casa e passando pelos problemas que nunca param. Ali, inseridas em suas letras haviam tantas referências de um mundo que, já ali, me interessava muito. para mim, além da importância musical de Raul para mim, ele tem também este outro lado de ser um incentivador a procurar as coisas. Livros, autores, sons, bandas, significados e tanta coisa esse baiano me trouxe que não posso ficar aqui enumerando. Mas o que mais trouxe de significativo foi, sem dúvida alguma, os amigos. Só por isso eu acho que ele merece esse carinho. OBrigado RAUL, feliz aniversário meu velho.

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Projeto “Ulysses”

Sim, resolvi começar a leitura a sério de “Ulysses” do Joyce. Digo “a sério” porque já comecei essa empreitada uma vez mas não foi uma leitura decente, foi mais um passar de olhos pelas páginas. Desta vez eu resolvi aproveitar a viagem, então não fiz nenhuma programação de encerramento, não contabilizei quantas páginas por dia irei ler, apenas lerei.
Primeiro tenho que dizer que demorei para comprar a minha edição, acho que um livro desses temos que ter o nosso mesmo, para que possamos (ou não) nos estendermos na leitura e tudo o mais que isso possa envolver. Encontrei o meu através da Vontaderia, qual não foi a minha surpresa ao constatar que, pouco tempo depois ela já tinha conseguido uma nova edição do mesmo para vender, muito competente essa moça. Caso você não a conheça clique no link aqui e resolva essa questão Vontaderia. Ela mesma me deu a ideia de fazer um diário de leitura e por este motivo resolvi que o melhor seria deixar para o segundo semestre deste ano o início da empreitada.
Estava passando um café há dois dias quando me dei conta que era o “Bloomsday” e pensei que seria mesmo uma boa data para começar, dane-se que seria um clichê e que meio mundo também esteja fazendo o mesmo, o que vale é a leitura. A minha edição é de 2012 da Penguin-Companhia e faz parte do Clássicos. A tradução é de Caetano Galindo , tem uma introdução deliciosa de ler escrita pelo irlandês Declan Kiberd e a coordenação editorial é de Paulo Henriques Britto que em suas 70 páginas dá uma pequena ideia da dimensão que será a leitura. Ele traz fatos interessantes sobre a escrita e a confusão que foi o surgimento de uma obra como Ulysses. Um outro livro que poderia ser lido como uma biografia da edição do livro, e algumas pessoas o trata desta forma, é o ótimo “Shakespeare and Company” livro que fala sobre a importante livraria parisiense que existiu no entre guerras e que foi, também, um certo imã para a Geração Perdida da qual faziam parte, entre outros, Hemingway e James Joyce. Esse livro eu li com indicação do grande amigo Carlos Freitas e rendeu um texto aqui no blog, clica no link Shakespeare and Company. Quer dizer, estou aqui chovendo no molhado, porque um monte de gente sabe sobre isso tudo. Então é isso, vamos ler e aproveitar a leitura.  Se não for desta forma não há mérito algum. Boa leitura.

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