Desespero

foto: Mateus Moreira modelo Valérea

“tudo é forte,
alguma prisão que sai dos sonhos
desejos que não realizarei.
Este peso planetário
que carrego no peito
Um eterno correr por entre
minas terrestres.
Tudo morre, por mais que eu lute
é sempre adeus
sempre luto.
Até quando continuar?
Por qual motivo dar o próximo passo?
Nunca haverá uma resposta certa,
apenas lágrimas
e gritos abafados durante o banho.
Mas estamos mortos,
antes mesmo de fechar o chuveiro.

27 de agosto de 19

revisitando os arquivos.

Estou vasculhando meus papéis e pastas no computador para encontrar uns contos para uma coletânea. Escrevo contos tem um tempo e acho que está na hora de apresentar alguns. Não chega a ser um segredo tremendo que eu os escrevo, o Pensador Louco já gravou alguns para a série “Desleituras” do Teatro Escuro do Pensador Louco e eu sei que é um bom jeito de apresentar  o trabalho. Mas me deu vontade de mais, de vê-los juntos, de perceber a existência desse conjunto o que é diferente de saber que eles existem espalhados por aí.
Esse exercício simples me fez olhar para um espelho trincado, pude reparar como era verde a minha escrita até pouco tempo atrás. Aliás, não consegui mesmo reconhecer a minha voz naqueles escritos, eu ainda caminhava pela sombra de outros autores. Era uma cópia de baixa qualidade de alguns autores que sempre li, cresci bebendo em Hemingway, Conan Doyle, Leminski, Vinícius de Moraes, Kerouac, Bukowski, Rubem Fonseca e outra pitadas menores. Poder olhar para esses escritos e separar em algo que posso trabalhar e em outras coisas que eu não pretendo rever nem a pau.
Isso me leva a crer que, mesmo meus poemas, ainda precisam passar por um período de decantação, sobretudo os que falo sobre sexo, para que possa, um dia, conhecer os olhos das pessoas. Mas, não tenho mais a inocência de saber que meus poemas estão em seus cadernos. Alguns nascem para os confins da noite.

para a representação de Eva, de LírioValetnArt

Tão forte a mulher
segurando em suas mãos
o universo que cria,
Rubra persona, ancestral presença.
De todas é mãe, irmã, amiga, amante.
A primeira fortaleza que surgiu,
e pisou descalça
o medo e insegurança.
há outras tantas, guerreiras
trilhando seus próprios caminhos
tão únicos e semelhantes.
É bruxa, é poesia, é arte
é luta, é bandeira.
Nua, como uma árvore,
Natural, como um lírio.
Coberta de atitude,
merece o respeito
-que é tantas vezes negado
às outras na mesma situação,
todas o merecem.
Fronte, lábios, olhos
mãos que apontam o caminho,
acariciam e repelem
dando a cada um
o que merecem.
Eva, Lilith, Kali, Nuit, liberdade, mulher.
Nunca é uma
e,sendo tantas,
é força e mistério.

(para a representação de Eva, de LírioValetnArt)

Se você quiser conhecer melhor o projeto e dar uma mão para que ele continue, acesse:

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Sobre o dia em que taquei fogo em tudo o que escrevi.

Tenho sempre por perto algum caderno para poder anotar alguma ideia que me surja esteja onde estiver. Vez por outra são pequenas frases soltas que se tornam gatilhos para textos maiores, talvez poemas, talvez uma carta, talvez uma canção. Estão espalhadas pelas páginas do meu diário e ficam ali, guardadas como pequenas pistas. Há muito de mim ali, muita coisa que ninguém nunca soube ou saberá. Muita tentativa infrutífera de criar também, Muita ideia que não vinga, não somos gênios por aqui, construímos o que podemos com o que temos.
Vez em quando sai algo tão íntimo que não vejo sentido publicar aqui, ou em qualquer outro canto. São meus amigos silenciosos que servem de registro, como meus segredos poéticos.  Alguns são bem velhos e já não fazem tanto sentido, mas permanecem em repouso, porque vai que, né?
Hoje de madrugada me deu uma vontade doida de atear fogo em tudo o que já havia escrito. Uma vontade de se apagar, de não deixar a impressão digital no mundo, não ser.
E, ao abrir o diário para começar a rasgar as páginas, me deparei com um poema que escrevi na madrugada do dia 08 de janeiro passado. Precisei de um cachimbo, um café e silêncio depois que o reli. Queimei, não literalmente, muitos desses escritos. Precisava abrir espaço, ficar mais leve.
Agora estou aqui, quieto como um túmulo, esperando o sol baixar um pouco mais para poder caminhar. O caminho só é feito se o caminhamos.
Tem muita coisa em mim, muita, tanta palavra que fui esculpindo como se fosse um Rodin com caneta, mas preciso de um tempo para poder terminar. Não dá para correr, não dá pra ser no meu tempo, tem que ser no tempo dele. É difícil, às vezes, lidar com isso. Mas há coisas piores para lidar também.
Cansei de esperar pelo sol.

Pequena nota para o dia que inicia.

Tenho me sentido ansioso, como se estivesse esperando um ônibus já atrasado, como se não fosse chegar nunca a lugar algum. Deitar duas horas da manhã e acordar às cinco e meia com essa urgência que tem a palavra entalada. Aquele verso que não consegue aquietar até que o sol esteja já a pino.
Entenda, preciso abrir mão de algumas coisas se eu quiser continuar, se quiser caminhar por mais tempo e me sentir eu mesmo. Tenho aprendido a deixar algumas coisas para trás e a abrir mão de outras tantas. Você, eu, nós… apenas mais uma dessas tantas bagagens que começam a pesar sobre meus ombros e, sabemos, para ir longe, precisamos ir leves.

Sobre Ilha Solteira

Estivemos nos dias 23 e 24 de agosto na Estância Turística de Ilha Solteira para apresentação de “A Lição do Rinoceronte Careca”. A cidade é muito legal e pudemos conhecer alguns pontos turísticos bem legais (VALEU ANA LUIZA), pude também conversar com o Carlos Masetti e alguns integrantes do grupo dele que também está fazendo parte do Projeto Ademar Guerra. Importante este momento também, esta troca de informações e impressões entre grupos participantes. Uma visão clara do que anda funcionando no projeto e de que forma nós, grupos, podemos trocar mais figurinhas e ações futuras.
Também pudemos assistir a Lucélia Santos em cena com “A Falecida”de Nelson Rodrigues. Uma ótima peça, bem montada, redondinha e com gosto de quero mais. Tudo valeu demais e deixo aqui o abraço a todos desta cidade. Abaixo algumas fotos.

Yes

Famosa foto do álbum Two Virgins foi feita no apartamento da Montagu Place

Na cabana solitária,
entre livros e
lennon.
Você é parte do caminho,
uma ponte para além
do silêncio.
Uma palavra “sim” no teto,
uma capa de disco,
liberdade & amor.
Os dois nus,
Montagu Place, 34
fica no extremo leste.
Trepando nas copas
árvores tão altas
quanto os sonhos.
O tempo não existe realmente
é apenas um soluço no universo
a poeira no pelo do gorila
imponente e brincalhão.
que se movimenta majestoso
nos castanhos olhos que o vê.

E cavalga a amazona
guerreira,
moderna heroína.
Que não é princesa,
presa em torres
ancestrais.
É ela que comanda
o Suave Desfile
pelas portas abertas do sonho.
Cavalga livre,
as areias do tempo,

Brasil dividido ou Brasil real?

Caso haja um endurecimento na forma de governo do país, seja para a direita ou esquerda, serei contra. Extremos não aceitáveis. Há quem julgue o posicionamento do outro usando uma visão tão retrógrada acerca de qualquer assunto, porque é mais fácil rotular do que parar e pensar no que a pessoa está dizendo. É mais fácil ofender, tentar minimizar as pessoas, fazer ameaças, do que parar e pensar. Se você crê que só existe um lado nesse jogo em que todos (todos mesmos) irão sofrer, você está enganado. A solução não passa pela rapidez de 1, 2 ou 10 mandatos. A solução não pode ser imediato, e todos oferecem justamente isso, o fácil. Fazem porque não querem mexer em suas estruturas, em seus conchavos por debaixo do pano, com seus falsos moralismos. Não farão porque, para eles, não é interessante. Eles não ganham com isso, nós só iremos perder sempre. O problema era o governo do PT, daí ocorreu o que ocorreu e nada foi resolvido, exatamente NADA.

Denúncias que não são averiguadas da forma que deveriam, pois esbarram no tal foro. Precisamos de uma mudança maior. A começar pelas câmaras municipais, prefeituras, assembleias estaduais, distritais ou o que seja. Precisamos não apoiar de forma alguma o que é, claramente, contrário a Constituição. Se você acha que ela é falha e não funciona, mude os federais que podem fazer isso. Mas respeitem, acima de tudo, respeitem realmente o que lá está.
Não adianta vir pregar que é contra a corrupção, como se ela fosse um erro só político, como se não fosse um erro de sociedade, de educação, de valores que aceitam pequenas migalhas de facilidades. Somos um povo marcado com esses exemplos diariamente, mas só importa o erro do outro.
Uma sociedade que não está pronta para uma mudança drástica (cultural e comportamental) está fadada a desaparecer.
A facilidade com que pretendem resolver os problemas de séculos de formação de nossa identidade enquanto povo, é a mesma com a qual “Um conhecido para resolver um probleminha”. É uma questão de cultura, de educação e de escolaridade. Não será resolvido assim e nem agora. Não use o momento só para comprovar o quão boçal você é.
Não faço nenhuma questão de amizade com quem supõe ser superior a qualquer outra pessoa. Quem demonstra desprezo pelo seu semelhante, sim porque somos todos humanos (por mais que alguns não se lembrem, ou pareçam ser).
O jogo polítiqueiro esconde os oportunistas, é nos detalhes que eles agem, é no silêncio. Agora mesmo estamos sendo prejudicados por essas aves de rapinas.

Que sua ação não seja só nos apllicativos de conversa.

Para Ana

foto_ pedro feitoza ceará-mirim – rio grande do norte

Ana tem voz de vento na cara
Desses que refrescam em dias quentes.
Ana tem voz de certeza na partida
quando se sabe que o melhor ainda está por vir.
Ana tem voz que arrepia a nuca,
como um carinho no meio das costas.
Ana tem voz de quem sabe das dores
de caminhar descalço por quilômetros.
Ana tem voz de mulher, menina, artesã de suas teias
como se o tempo habitasse um corpo.
Ana tem voz e cabelos soltos,
essa liberdade que só possui quem vive sua verdade.
Ana tem voz de aconchego amigo,
para aquelas noites em que só o vinho não é suficiente.
Ana tem voz boa para caetanear, buarquenear, nandonear
Zeppelinear, cazuzanear, mas é melhor quando é ela mesma

Letícia toma sol

Letícia toma sol
para secar os cabelos solares.
Um leve quase sorriso,
Monalisa sem moto.
Calça legal, confortável mapa de sagas antigas
respira arte, fala de verdades.
Guarda no peito o pico das montanhas
lar silencioso de seu desejo por liberdade.
Olhar que vai além do que está adiante,
percebe que há mais,
que o caminho vai muito além dos passos.
Por isso para, espírito inquieto
de mulher ancestral,
de quando andava com lobos pelas matas.
Letícia é liberdade nua e crua,
daquela que se aprende a cada dia,
daquela que explode dentro do peito
como um orgasmo na alma.
Letícia é sol.

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escrevo no papel da verossimilhança, mas nunca da vida real.