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Ganhei de presente do Ronaldo Ventura.

Estou eu aqui, no meio de um turbilhão de pensamentos e fazendo zilhões de coisas ao mesmo tempo quando sou desperto e salvo pelo grande Ronaldo Ventura. Figuraça que admiro e curto demais. O menino me manda a seguinte mensagem que me faz pensar que o tal pegou uma máquina do tempo e foi bisbilhotar minha vida escolar desde o Vila São Paulo. Compreendam melhor lendo o que ele escreveu.

 

Jim Duran… escrevi uma bobagem para ti.

É teu. Faça o que tu queres…

“Ele tinha aquele apontador em forma de capacete quando criança. Era diferente, caro, causava inveja. Não durou dois meses. Primeiro quebrou, depois roubaram. Anos depois teve aquele apontador que era uma caixinha retangular transparente, o apontador de fato, era amarelo. Durou anos. Mas também se perdeu. Faz anos. Hoje ele usa uma faca.
Hoje ele estava afiando um lápis preto, dava golpes em diagonal com sua faca, lascando a madeira, desprotegendo o grafite, criando pontas. Gostou do resultado e divagava lembrando que a ordem de matar Garcia Lorca, foi justificada dizendo que ele era mais perigoso com uma caneta que com um revolver. Pensou em outros perigosos que conviviam na sua estante. Pegou outro lápis. Pensou que se a situação continuar assim, teria que tirar um porte de armas para poder comprar o Bukowski no fim do mês. Pegou outro lápis. Pensou que quando isso acontecer com certeza seus Fantes, Rimbauds, e leminks já teriam sido confiscados. Sem pensar pegou uma caneca, e deu um golpe certeiro. Pensou, todo coberto de um sangue Bic azul, que sim, literatura era algo perigoso em mãos erradas.”

Como não ficar tocado, emocionado com esse carinho? Obrigado meu parceiro, um beijo para você.

sobre o livro “Teatro Curupira 10 anos/Volume 1 – Dramaturgia”

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Eu sempre leio um novo texto, ou novo livro, de alguma autor que eu gosto com grande medo de que ele tenha errado a mão, tenha cometido algum deslize ou algo assim. Quando o livro é traduzido então esse temor aumenta exponencialmente. Mas há sempre a chance de que tudo permaneça tão bom quanto era e até mesmo melhore.

Ronaldo Ventura escreveu “Alecrim” e publicou ano passado pela Editora Patuá. Conhecia a escrita dele através de algumas peças de teatro (eu tinha assistido “Ofélia”e lido alguns textos que ele havia me enviado), sei que as escritas diferem entre um gênero e outro. Difere mas não perde a poética visão do autor. Ventura tem terra debaixo das unhas, não que elas sejam sujas. É destes caras que caminham correndo, é dessas mentes aguçadas que não sossegam e vivem em moto contínuo. Gosto de suas personagens e gosto de seus argumentos.

Ano passado ele me convida para escrever o prefácio do Volume 1 da dramaturgia do “Curupira Teatro”, grupo que ele fundou e guia. Aceitei com o receio de não conseguir dizer o que queria sem parecer piegas. Demorei para escrever justamente por esse motivo e por outros menos nobres que a vida impõe. Escrevi e enviei, já não era meu. Tive de esperar o livro ser lançado e todos os tramites. Essa semana recebi o livro e li feito um alucinado.

O livro contém seis textos, cinco monólogos e um diálogo de autoria dele. A edição é bilíngue (português e espanhol, Hola hermanos) em tradução de Sofia Alondra Fica Espinoza. Antecedendo a cada texto há um pequeno histórico das montagens que renderam e mesmo algumas curiosidades. Quem vive teatro tem de ler o livro e ter contato com esse universo de personagens que me soam insones. Alguns sofrem das dores do mundo, das escolhas, do momento, do amor, da morte.

A leitura é ágil, fácil, direta (como um monólogo deve ser). Pode parecer estranho ler texto de teatro para quem não está acostumado com as rubricas, os apontamentos do autor para cada possível ação. Mas quando você compreende que não precisa se ater a esses detalhes tudo flui normalmente.

Leio e reli duas vezes um dos textos, pensei em trilhas, em luz e, em minha mente, escalei a atriz. Isso é o que acontece quando o texto teatral conquista, chama pro palco o encenador. Quando o texto é bom deixá-lo no papel sem vida é um pecado e Baco não perdoa, o vinho some mesmo. Claro que a escrita conquista a atenção com o que transmite. As peças, os textos, intensas histórias e situações que não podem ficar só no papel, descansando em berço esplêndido.

Outro fator que chama a atenção é que tanto o que acontece em grandes centros ou em bucólicas paisagens do interior possui a mesma verdade. É perceptível um olhar do autor sobre tudo, sobre esse universo poético cotidiano. Seja a junkie Ofélia ou a atriz anã vitimizada por Menguele todas as dores são possíveis, são críveis.

O que faltou no livro foram algumas fotos das montagens, por mais que eu saiba que isso encareceria a edição e você pode ver algumas no blog do grupo (http://curupirateatro.blogspot.com.br/). A capa do “Teatro Curupira 10 anos/Volume 1 – Dramaturgia” é bem semelhante a do “Alecrim” belo trabalho da editora na composição do livro. Tanto um quando o outro vale a pena e creio que possam ser comprados com a Patuá mesmo (http://www.editorapatua.com.br/) se não conseguirem entre em contato com o Ronaldo pelo blog do grupo e adquiram sem medo. Mas preparem-se você pode ser surpreendido pela simplicidade das idéias.

semana bem cultural.

Começo com a notícia ao lado, muito bom saber que o Brasil tem tido bons representantes lá fora. E a família Fonseca merece uma dupla menção aqui, primeiro pelo feito de Aleilton e depois porque hoje é aniversário do Diogo, felicidade a esse amigo irmão que pude escolher.

 

 
Sábado que vem, dia 10 de novembro é lançamento do livro “ Teatro Curupira – 10 anos de trabalho: Dramaturgias”, é o primeiro livro lançado pelo grupo; e o terceiro publicado pelo diretor Ronaldo Ventura e para o qual eu tive a honra de ser convidado para escrever o prefácio. Mas não é só o livro deles que surge no mesmo dia.

Teatro Curupira comemora dez anos com Plínio Marcos

“Um samba para Plínio Marcos”, apresenta uma versão para a obra “Dois perdidos em noite suja”, marca o retorno do grupo com autores consagrados – o último foi Beckett  e seu “Esperando Godot”, e demonstra a maturidade que só uma década de trabalho contínuo pode trazer.

Esta montagem é inspirada nas possíveis assimilações dos movimentos físicos utilizados em diversas possibilidades de expressão, tais como: acrobacia, danças populares, e outros. A expressividade do ator em estado de representação sempre foi o grande mote do grupo.

Criado no ano de 2002, e sediado em São Bernardo do Campo e no Rio de Janeiro, seu principal foco é o trabalho de pesquisa do ator; além de possuir uma larga experiência na confecção dos próprios textos, que serão lançados em livros pela primeira vez, junto com a estréia do novo espetáculo.

Sinopse: Excluídos e oprimidos pela realidade que os cercas, duas pessoas sofrem o peso de sua própria existência. Humilhados e rancorosos, ambos decidem pelo crime, na esperança vã de ficarem além da miséria.

Texto: Ronaldo Ventura sobre a obra de Plínio Marcos e Direção: Ronaldo Ventura

Elenco: Ana Cecília Reis e Caju Bezerra  Figurino e Produção Executiva: Caju Bezerra  Arte: Ana Cecília Reis

Local: Centro Livre de Artes Cênicas (CLAC) Endereço: Praça Cônego Lázaro Equini, Vila Baeta Neves – São Bernardo do Campo

Data: 10 de novembro.Horário: 20h Ingressos: O espetáculo é gratuito; o livro custará R$ 20,00

Faixa etária: acima de 14 anos.

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E nós aqui seguimos cuidando dos ensaios de ” A Lição do Rinoceronte Careca.”