Andra nos trilhos

foto de Andra

Ela está feliz?
Caminhando por entre os trilhos,
com aquele que chegou mais perto
foi além das barreiras,
foi além das aparências,
foi além porque pode ir.
Deu sinais de querência,
a loira mulher de olhos intensos.
Me lembra um filhote de gato,
assustada e feroz,
entre as armadilhas dos dias.
Personagem das melhores histórias,
vive sua realidade, apenas sua.
Mas divide alguns sonhos
com quem sabe atravessar
a cortina da amizade.
Uma vez, publicou uma foto
sentada com o namorado,
estavam nos trilhos de trem,
que passavam por uma ponte.
Me encantei pelo cenário,
Me lembrei de meu caminho,
e tantas histórias vividas ,
nem sempre rodando nos trilhos.
Mas estavam bem, o casal
sentados sobre os trilhos,
cúmplices nessa jornada,
afeitos aos afetos.
Silencioso olhar de quem gosta,
e vive apenas,
porque viver é a sina
dos que rodam fora dos trilhos.

Café da tarde

Água que se prepara para ebulir
borbulhar,
dançar no ritmo frenético,
atiçado pelo fogo.
Perto, na pia, estão os aparatos
preparados para o liberar o aroma,
que será recebido pelo olfato,
como amante insaciável
do forte sabor.
Desastrado, que sou
caminho com cuidado
levando a água.
A derramo sobre o pó escuro
e logo somos invadidos
como se o corpo todo já se esquentasse
e despertasse de um sono qualquer.
O som da água atravessando o pó
o filtro,
caindo na jarra.
Aumenta a ansiedade e vontade.
Papo animado em volta da mesa,
poesia, risada e Belchior em “Alucinação”.
Xícara prontas,
recebem a bebida em sagrada comunhão,
amizade firmada no gosto vivo do café,
enquanto a xícara esquenta
as mãos da poeta Lilian Aquino.

“Bela tarde de domingo, quantas alegrias”

Bom poder ser uma distração
na sua tarde monótona de domingo.
Poder dizer como andam as coisas,
como ando me sentindo,
o que ando pensando.
E ver que sorri,
claro que me sinto bem,
não sei como não havia pensado nisso antes.
Acontece com todo mundo, afinal de contas,
todos rimos dos menores tropeços dos outros.
Depois pedimos desculpas, dizemos que era brincadeira,
tudo se acerta, tudo fica bem,
afinal de contas, o mundo é bem humorado.
O mundo não é um longo deserto
em que caminhamos com cuidado,
prestando atenção a tudo,
procurando um referencial de direção.
O mundo é um pular na piscina numa tarde quente,
é dar gargalhadas a tordo e direito.
É, no fundo, agir igual a todos.

A Queda! Texto 2

A primeira coisa que você precisa saber realmente sobre essas postagens que irei fazer é: Não citarei nome de meus médicos e nem do que me foi receitado, pois isso diz respeito ao meu problema de saúde e o que preciso, e o tanto, em que preciso melhorar em minha vida. A dica óbvia que deixo aqui é: Procure um profissional de saúde, não acredite em receita milagrosa, não espere que seja de um dia para o outro, não pense que vai ser moleza. Ah, também não pense que você faz parte de uma minoria que consegue perder peso de forma saudável e responsável sozinho. Não que duvide de você, eu só não acredito nessa possibilidade em mim.
Há alguns outros fatores prejudiciais no meu caso que são o álcool e o tabagismo. Bebo e fumo desde muito cedo e, confesso que meu pendor ao destilado não é de grande ajuda. Fumei cigarros dos 13 aos 32 anos, um dia resolvi parar. Estava fumando e conversando com um amigo e quando terminei o cigarro disse que não fumaria mais cigarros. A partir dos 15 anos  comecei a fumar cachimbo e logo depois, creio que aos 16 ou 17, a fumar charuto. Ainda não parei com ambos, pois já não os fumo com a mesma regularidade. Posso dizer o mesmo do álcool. Em meados de fevereiro deste ano eu pensei em dar um tempo da bebida, ficar uns meses de boa. Sempre tive esses tempos de não querer beber ou fumar, então não era novidade.
Eu sempre fui obeso, desde criancinha. Então para mim é normal ser assim. Pouquíssimas vezes eu fui realmente magro (ainda acima de meu peso ideal, mas abaixo dos 100 Kg), ter vivido 40 anos assim me fizeram com que me sentisse bem. Sempre caminhei muito, por longo tempo, longas distâncias e sem me cansar além do normal.
Mas, de uns anos para cá, já não tinha a mesma condição física e nem ânimo para sair de casa. Seguia trabalhando dentro da normalidade e, para mim estava bem; Sabia que tudo isso era questão de perder uns poucos quilos e minha respiração melhoraria, só que não era bem assim. Me sentia pressionado com todos os meandros insalubres de ser uma pessoa concursada esperando pela eterna chamada por conta do estado, que aliás nunca veio. Outras infelicidades em minha própria vida contribuíam para que eu fosse alimentando o meu segundo maior inimigo, uma ansiedade incontrolável que havia criado uma barreira em mim e a alimentação controlada e sadia.  Uma vez por mês reunia ou poucos amigos que tinha e fazíamos um churrasquinho em casa, pois eu não conseguiria atravessar a cidade até a casa deles, mas a carne era uma desculpa para litros e litros de cerveja, cachaça e uísque.
Um dia estava fazendo compras e, no meio de toda aquele burburinho, de buscar pela memória a lista do que comprar, e fazer algumas contas. O mundo deu um loop, tudo parecia explodir no meu peito e  comecei a transpirar muito, fiquei parado, as mãos segurando firmes o apoio do carrinho, uma ânsia de vômito, um medo absurdo de estar ali, cercado.
Larguei o carrinho e saí, caminhei até minha casa, que para os meus padrões físicos da época não era perto, evitava as pessoas na calçada, evita os olhares, os esbarrões. Andei o mais rápido possível. Cheguei em casa, tranquei a porta, fui pro meu quarto e tive uma crise de choro, Fiquei três semanas sem conseguir abrir a porta da frente de casa, com medo do mundo, de tudo. Ia para o fundo e tentava espiar pela lateral da parede se havia alguém parado em frente ao portão. Espiava pela fresta das cortinas. O mundo queria acabar comigo e eu sabia que ele conseguiria. Não fui o mesmo desde então. Não atendia aos telefonemas, fiquei imerso em um mundo que, apesar de estar na minha mente, eu não conhecia. Tive que aprender a caminhar naquele terreno inóspito.
Fiquei assim, muitos meses, me sentindo mal, mesmo que, depois e, aos poucos, conseguisse sair de casa para ir a mercados perto, ou qualquer outra atividade. Mas não sem antes desenhar em minha cabeça todo um caminho que iria percorrer, na verdade eu criava dois caminhos, um para a ida e outro para a volta. Nunca me demorava fora de casa e, sempre que chegava, estava suado demais, mal conseguindo respirar ou pensar direito no que tinha acabado de fazer. Era um robô, sem consciência e sem memória, que apenas realizava o que tinha que ser feito.
Assim, fechado em casa, em mim, não havia muita coisa que poderia fazer além de beber, fumar e, uma vez por mês reunir dois amigos de extrema confiança para que viessem em casa papear, ouvir música e, talvez, eu conseguisse relaxar.
Assim, sem perceber eu fui perdendo o pouco de gosto pela vida que me restava. Só faltava me sentar no fundo do poço e esperar que alguém o fechasse. Aos 39 anos eu me sentia morto por dentro.

Porque deixei de gravar vídeos falando sobre livros para o Youtube.

Eu larguei o “mundo booktuber” porque acho que está muito chapa branca, tudo muito parecido demais. Estava vendo muita gente falando dos mesmos livros, praticamente com o mesmo discurso e tudo maravilhoso, toda capa linda. Não dá pra se iludir tanto. As estantes viraram altares. Ou uma mistura de colecionismo, exibicionismo, necessidade de provar que se é inteligente por que leu tais e tais livros. Ou uma competição para ver quem lê mais livros no ano, quantas páginas são lidas por dia, quantos livros recebeu de parceria, ganhou de promoção e tudo “de graça”, nada é de graça. Algumas editoras ganham muito em cima de todo o esforço que esse pessoal faz, por um preço irrisório para a indústria.
Fiz grandes amigos no meio, tem pessoas que respeito muito e admiro muito e, em geral, não  são aquelas que procuram dar aula de literatura no Youtube (alguns até poderiam pois são professores realmente e atuam na área), mas preferiam um bate papo em que apontam alguns dados interessantes sobre determinado autor ou obra. Tem também quem não é da área (ou ainda não era na época), mas se preparava tão bem para seus vídeos e os gravava com tanto cuidado, respeito e esmero que dava gosto assistir. Peguei muita dica importante, discordei muitas vezes, mas sem ficar enchendo o saco das pessoas sobre suas opiniões. Cada um que tenha a sua, nada de ficar replicando o que o colega disse como se fosse verdade absoluta.
Outra coisa que me incomoda bastante é o formato engessado dos canais literários, parecem feitos em linhas de montagem. Estantes viraram cenários cheios de cacarecos, cheios de objetos que, de vez em quando, chamavam mais a minha atenção do que o discurso maçante que já tinha ouvido em outros tantos canais. Deixei de seguir muita gente e outras nem comecei a ver o que produziam, pois já estava saturado do formato.
A mania besta de pedir que a pessoa dê o like antes de assistir ao conteúdo é uma coisa tão de mendicância, pois a pessoa dá o like se quiser, se gostou do seu conteúdo, se teve ali algo interessante. Começo a ver um vídeo e a pessoa vem pedindo like logo de cara, eu nem termino de ver.
E agora todo livro é maravilhoso, todo livro é aquele que “Você tem que ler para fazer parte do grupinho”, não existe isso de “vc tem que fazer isso”, faz quem quer. É o pior argumento para um convite para a leitura. Tentar impor seu gosto (ou da pessoa de quem você copiou as suas falas) é chato demais. Existe uma forma que funciona e você tem que descobrir qual é. Não vale, também ler o resumo na internet e depois já ir ligando sua máquina, posicionando seus refletores e rebatedores, o microfone e tudo o mais se não há um conteúdo inédito. Mesmo que você esteja falando do livro mais antigo, será a sua leitura do livro, a sua experiência. Não há necessidade de copiar ninguém. Alguns têm muita pose e só isso, conteúdo fraco.
E as editoras mandam mimos e mais mimos, e as caixas literárias inventam moda e mais moda e vocês dizem o mais do mesmo. Tem muito livro bom realmente, muito livro ruim e muito caça níquel. E o pessoal compra essa ideia como se estivessem inventando a roda, salvando vidas. Não está não. E uns vídeos de book haul intermináveis, umas coisas maçantes com um tom de “olha sou foda, recebi isso de tal editora, de tal editora veio isso”, como se fosse uma coisa única no mundo, ninguém recebeu antes, só você, o pica da biblioteca. Trocando em miúdos, ficou muito chato saber dos livros através da maioria dos booktubers. Acompanho o canal de três pessoas apenas. O de uma amiga que consegue falar bem de livros de uma forma direta e sucinta manda o recado, gagueja, arruma o óculos e dá seu recado, tenho inveja dela e já disse. O outro é de um amigo, que não tem papa na língua e não faz rodeio para dar a sua opinião que, nem sempre é a que a editora quer ouvir, mas ele faz o dele. O terceiro canal também é o de uma mulher que chamo carinhosamente de “Sra. do desgraçamento, Ela fala com paixão real sobre o que lê, xinga, arregala os olhos, balança a cabeleira como se fosse a Janis Joplin dando um dos seus berros incríveis. Nos três casos eu sinto a sinceridade e o gás que eu queria ter.
Assim como nunca participei de rodas e grupos de leituras pelo simples fato de fazer no meu ritmo. Leitura pra mim é sagrada e precisa ser prazerosa, preciso de tesão pra ler. Se for pra fazer corrido, pra me sentir parte de algum grupo, não faço a mínima questão. Já tentei algumas vezes e saquei que não é a minha praia. Adoro falar sobre livros com meus amigos, adoro quando alguém me indica um livro do jeito certo, sem parecer uma imposição porque senão não saberei do que os jovens estão falando, quero mais que se foda esse ritmo frenético em que, desconfio, não conseguiria aproveitar uma boa leitura de forma que creio ser decente. Parar um pouco, pensar, viajar na história, criar uma trilha sonora mental para aquilo que leio. Funciono de outro jeito.
Não sou muito paciente, sou chato mesmo, desbocado, marginal como eram meus autores preferidos, errático como a vida. Esse formato já caduco não me satisfaz. Pensar em toda uma estrutura para preparar um material que, eu sei, nunca fica do jeito que eu quero. Cansei disso tudo. Ainda admiro muito e respeito a mulher que me fez gostar de ideia ter um canal sobre literatura. Repare na simplicidade estética do vídeo e na riqueza da forma em que ela fala sobre os livros. Vão dizer, alguns, que é pelo fato de ser professora e tudo o mais. Vou contar um segredo, eu também sou, assim como tiveram outros booktuber que também eram professores, editores, estudantes de letras, leitores apaixonados.
O livro vem perdendo espaço nos vídeos sobre literatura. Há ego demais e leitura de menos.

“E assim torto e de verdade,
com amor e com maldade,
um abraço e até outra vez.

foto de @lorainelys

Sentada à porta
contra a luz forte lá fora,
olhando como encara a si
no espelho da realidade.
Alice sem o Coelho Branco,
decidiu não fazer pelos outros.
Sair por aí, curtir o passo.
beber um pouco, rir um tanto
e caminhar pelo mundo,
como se fossem as ruas de sua “vila”.
Mas tua “vila” é o mundo,
teu passo livre, teu queixo é norte,
teu peito é feito de desafio.
O que vê através das lentes de teus óculos
com tão aguçado olhar?
Não há descanso para quem é real.

O primeiro passo de uma longa caminhada! Texto 1

Este é , com certeza, o texto mais difícil que eu já escrevi porque toca em alguns pontos da minha vida íntima com os quais fui negligente durante toda a minha vida adulta.  Falo da minha saúde e de como cheguei bem perto de morrer. Não acredito nisso de que “Ah era tão novo, morreu antes de hora” Você morre quando seu corpo para de funcionar e pronto, não importa a idade e não importa o tanto de coisa de sua lista de desejos você realizou ou não. Você vai morrer, fato e ponto. Então já avisa às pessoas que ainda não sabem. Posso, inclusive morrer enquanto escrevo esse texto e isso me deixaria muito puto, pois tem quase três meses que venho pensando nele.
Ser negligente com a própria saúde não é um defeito apenas meu, Muitos homens adultos não procuram médicos, não fazem exames preventivos, ou qualquer que seja relacionada ao assunto. As desculpas são as mais variáveis, mas, creio eu, servem para mascarar apenas duas: medo e desleixo. No meu caso foi por puro desleixo mesmo. Não me sentia doente, não sentia nenhum sintoma de nada, fui ter minha primeira dor de cabeça aos 3o anos. Mas estava doente, seriamente doente, com risco de morte. Fato que, novamente ressalto, todos estamos, até os saudáveis. Mas estamos ocupados demais prestando atenção no que o outro está fazendo com sua vida do que com o que fazemos com a nossa. E somos suicidas complacentes, adoráveis suicidas cotidianos com hábitos que nos matarão pelo conjunto da obra.

Apesar de a história ser sobre mim, ela não começa comigo.
Mas vamos começar falando do que deu o primeiro click na minha cabeça de que algo muito sério poderia acontecer com minha vida. Mais ou menos em março de 2015 em uma conversa com meu tio Arnaldo, ele me disse que havia sido diagnosticado com uma síndrome que era hereditária, degenerativa e fatal; Falo de um tipo de Ataxia chamada Síndrome de Machado-Joseph (Para saber mais clique aqui)    Ele tinha caído em casa e fora para um hospital, fez exames e foram buscando a razão de tantas quedas pelos anos a fora e encontraram. Conversamos um pouco sobre aquilo e ele me pediu que fosse conversando com meu pai sobre o fato. Meu tio Arnaldo é mais do que irmão de meu pai, é um dos meus melhores amigos, uma pessoa que amo muito, sempre tivemos ótimas conversas sobre cultura, samba, comunicação. Ele sempre me fez pensar muito, sempre foi um exemplo para mim. Saber que ele estava doente e que iria morrer por conta dessa doença me fez chorar muito porque não compreendia. . Conversei com meu pai alguns dias depois porque quis falar de forma calma e explicar que apesar de tudo a mensagem de Arnaldo era “Estou bem.” Ele já havia começado os tratamentos pois, apesar de ser incurável e fatal, você pode ir “driblando” um pouco os efeitos dela. Não pode desistir e, a única certeza que tenho desde o primeiro momento, é que Arnaldo não desistiria fácil.
Como ainda não há cura, tem que se ir testando alguns tratamentos, muita leitura e pesquisa são importantes. Dividir a informação de forma responsável então nem se fala.
Após o diagnóstico e traçar os primeiros passos que seriam dados ele veio à Tupã (isso levou uns meses) e fomos, meu pai e eu, buscá-lo no aeroporto em Marília. Quem o conhece sabe que ele é uma pessoa sorridente, bom astral, nos deu um abraço carinhoso e começamos o retorno. Paramos para um café e ele foi contando como andavam as coisas com ele, com minha tia e meus primos, com o emprego, como andava a saúde. Daí ele disse uma frase que me fez pensar muito: “Só fica doente quem vai ao médico.” Claro, faz todo o sentido, a partir de sua ida e análise dos exames você fica sabendo como está realmente. Se ainda está saudável ou se tem que tomar cuidado com alguma precaução em alguma área. Daí realmente você está doente, você sabe o que tem. Até então a gente “sente um troço” ou “Uma dor que começa na cacunda e termina na espinhela”, como diria o Tom Jobim. Nessa visita que ele fez, explicou melhor a síndrome e como ela havia acometido minha avó (na época nem desconfiávamos de que tal doença existia. Ela é, relativamente nova), algumas outras pessoas do tronco familiar dela, vinda do tronco português que nos formou. Mais alguns parentes também já haviam tido a mesma coisa, alguns morreram e outros estão aí na luta. Agora sabemos o que é.
Ouvindo os relatos e ligando os pontos: bisavó, avó, tio, primos de segundo grau desenvolvendo a doença a partir dos 50 e poucos anos, tudo muito perto de mim para que eu não me preocupasse demais). Escutei atento e anotei mentalmente os detalhes e, como um tolo, ia fazendo check list no meu próprio histórico das dificuldades apresentadas naquele momento houveram dois que se assemelhavam ao que tenho 1- desequilíbrio e 2 – marcha irregular, às vezes parecendo estar bêbado e explico como isso se adequou em minha mente naquela hora. Muitas vezes enquanto estou parado em pé ou uma bambeada, perco um pouco o equilíbrio mas não lembro de ter caído por conta disso. Eu não consigo andar em linha reta por muitos metros seguidos, vou para os lados e uma leve alteração na minha velocidade de marcha. Aqui deixo registrado que sou um tonto mesmo, sei disso.
Liguei meu alerta e meu sinal amarelo ao mesmo tempo, porque se eles só foram diagnosticados perto dos 60 anos eu ainda tinha uns 33 anos para relaxar, ou 33 anos pra ficar em dúvida. Preferi a primeira opção.
Passado alguns meses deste encontro com meu tio, seguimos conversando normalmente até que uma notícia envolvendo uma outra figura pública e a síndrome mudou algo. Falo sobre a morte do ator Guilherme Karan, Pouco tempo depois, não sei precisar o tempo, meu tio avisa que iria publicar um vídeo falando sobre a sua condição e pediu para que eu falasse com meu pai. O apoiei, até porque a vida é dele e ele sabe o que faz, e esperei. Assisti ao vídeo publicado em sua rede social e depois foi replicado por outras emissoras, canais, blogs, sites e teve um alcance que, confesso, me surpreendeu. Divulgar a doença, convidar para uma conversa franca, buscar e dar apoio é importante, é um ato de coragem. para ver o vídeo clique aqui. Algumas matérias foram escritas e, confesso que não li todas, mas das que li achei essa que deixa o panorama um pouco mais claro, Clique aqui para ler. Depois ele participou do Programa do Gugu e desde então vem falando sobre a Síndrome e como andam as coisas.
A minha história começa contando esse fato que não é sobre mim (diretamente) porque foi isso que deu o clique no assunto minha saúde. A partir deste momento eu percebi que poderia ficar doente realmente, não falo da síndrome, falo de qualquer doença. Mesmo assim não fiz nada. Empurrei com a barriga, que continuava a crescer cada vez mais. Se sou portador de Ataxia? Não sei. Creio que não. Mas estou atento.

eu e meu tio alguns anos atrás

 

Bom dia aos amigos, e aos filhos da puta também.

“Bom dia aos amigos, e aos filhos da puta a também” Durante anos eu começava meus aqui assim. Até que um dia me chamaram a atenção e fiquei pensando sobre o fato de que, realmente não pegava bem, que não sei mais o quê. Ficar postando palavrão em rede social, que eu já tinha uma certa idade e tudo o mais que fazia todo o sentido, ainda faz.
Mas,agora, depois de repensar minha vida, meus hábitos, minhas crenças, meus gostos e o que eu espero para o futuro, percebi que sinto falta de um monte de coisa em mim. Isso de saudar aos filhos da puta não era só um “soltar um palavrão para parecer rebelde”. Primeiro que o palavrão tem uma função linguística e tudo o mais, faz parte do nosso cotidiano e mesmo de nossa criação enquanto povo. Daí vai ter um, porque sempre tem um que acha que é pra ele o texto, que vai dizer “Ah mas eu não falo palavrão.”, “Em casa meus pais nunca permitiram que se falasse um único palavrão”, Que bom, nunca disseram, parabéns. Mas já devem der pensando num “ah vai tomar no cu”. Costumo dizer que entre pensar e o fazer é a mesma coisa, claro que NÃO SE DEVE GENERALIZAR, há uma diferença entre pensar em mandar seu chefe, seu vizinho, seus pais, o padre, e dizer realmente. Assim como há uma diferença fudida entre pensar em matar uma pessoa e matar uma pessoa. O palavrão tem a sua função em nossa comunicação, serve para um determinado modo de discurso e tudo o mais.
Há também toda uma questão de criação e de família neste contexto (não só no meu contexto mas (aqui sim cabe a generalização) como um todo. Não consigo imaginar meu avô materno, que nasceu no fim do século XIX, permitindo que meus tios e primos mais velhos soltassem um palavrão perto dele. Vale o registro que o que disse agora tem toda uma base de EU ACHO, porque não o conheci. Ele morreu antes de eu nascer. Minha avó materna faleceu quando eu tinha poucos anos, talvez três ou menos ainda. E percebo o que é a criação de fato eficaz quando penso em meu tio José e minhas tias. Claro que todos tem seus defeitos e qualidades e que eu gosto mais de alguns do que de outros, mas os respeito.
Quando penso em meu lado paterno, ambos também falecidos, mas com quem que convivi até o início da vida adulta, e lembro de meu avô Orlando, sempre surgem imagens carinhosas, musicais e hilárias. Sempre achei meu avô uma pessoa extremamente bem humorada, sagaz, talentoso demais com seu violão e seu risinho. Coisas que lembro dele diariamente: Foi ele quem me ensinou a me barbear quando eu ainda era muito novo e o assistia em seu ritual, sentado à mesa da copa, com uma baciazinha de alumínio e seus apetrechos. O pincel que deveria ser mais velho que eu, o creme Bozzano, o espelho diante dele.Ele sempre me dizia uma piadinha. Me ensinou com exemplo mesmo, não dizia que eu iria ter uma aula pra vida toda. Quando ele tocava violão e todos nós cantando (até os desafinados tem coração) e eu ali, pequeno ainda, sendo educado com uma bagagem cultural fudida. Boleros, samba canção, bossa nova, marchinhas. Assim como os bordões que eu, volta e meia sem perceber, repito: porco cane,burrrrrro, Tudo veio dali. Quando ele teve seus probleminhas de saúde e precisou de ajuda, eu pude dar uma forcinha. Um dia ele me pediu que fizesse a barba dele que começava a crescer incomodar. Cara, eu barbeei meu avô. Na minha cabeça tudo passava rapidamente. Já não era mais o menino gordinho que assistia, era o adulto gordo que retribuía o amor. Sempre me lembrarei dele, sempre.
Quando penso na D. Terezinha, minha avó, vejo uma mulher alta, voz doce, uma beleza imensa, uns olhos lindos, uma voz linda de se ouvir cantar e acima de tudo uma fé enorme. Para mim ela sempre foi uma pessoa séria, uma mulher de seu tempo, com suas convicções e sua forma de ver e viver a vida. Uma PEREIRA, (piada interna que só os tios e primos irão compreender). Minha avó tinha medo que sentássemos na muretinha da área da frente (tinha mais de dois metros de altura), que corrêssemos pelo quintal (ela tinha razão, uma vez meu primo machucou a cabeça enquanto brincávamos) Lembro dela assistindo missa pela tv quando já não podia ir à igreja. Lembro do cheiro da comida dela (não vem falar que sou gordo porque comi demais a comida dela que tem o resto da família pra provar o contrário), tento replicar aquele tempero até hoje e nunca fica igual, nunca ficará eu sei. Sinto saudade de ouvir a voz cadenciada dela me chamando “Eduardo”. E quando penso nos dois e vejo meus tios com todos os defeitinhos deles e com todos os acertos, sei que tiveram uma boa criação, fruto do tempo deles.Não me lembro de ter ouvido minha avó dizer um palavrão, nunca. Meu avô soltava um “filho da puta” de vez em quando nas ocasiões em que acontecia algo errado ou de susto.
O que sei é que eu sou assim, goste você ou não, falo e escrevo palavrão quando acho que devo. Sei me comunicar, cresci tendo aulas e exemplos de comunicação vindos dos dois ramos de minha família. Mas sou, assim como eles foram, fruto de uma época diferente, onde bincávamos e brigávamos com a mesma facilidade. Cinco minutos depois estávamos de bem zoando de novo. Você não sou eu, não queira que eu viva do seu jeito, rezando a sua cartilha. Não vai acontecer. Sei respeitar as diferenças e compreender a singularidade de cada um. Se você não sabe: foda-se! Fiquem bem, olhem para os dois lados para atravessar a rua (sempre pra esquerda primeiro). Aproveitem a vida.

Professor e catador de lixo para completar a renda! Isso é o ESTADO DE SÃO PAULO.

Olha isso. Está acontecendo no estado “mais rico” da união que é governado há 20 anos pelo PSDB Isso é Fato, não é discurso de esquerda, ou centro, ou direita. É um fato. Tem que haver uma mudança na direção desse estado. Não ao PSDB.
E aqui não cabe comentário defendendo esses partidos. Quando se vota por 20 anos num mesmo partido é essa merda que temos. E quem vier fazer piada ou comentário jocoso sobre o fato será tratado com meu mais profundo desrespeito, estejam avisados. Poder ser parente, amigo, colega, conhecido, curioso, transeunte, o que for. Aqui não. Meu mais profundo respeito aos catadores e catadoras de reciclado, aos e as garis, aos chefes e chefas de família que lutam pelo sustento de sua família com a dignidade de seu suor. Que é humilhado pelas pessoas que jogam lixo no chão, muitas vezes estando ao lado desses profissionais. São tratados como verdadeiros fantasmas pela nossa sociedade. Não se diz um “Bom dia” ao profissional de limpeza, não se olha com respeito aos seres humanos que são. Tratados hoje como eram tratados os escravos “tigres” na época de escravatura no Brasil, fadados a carregar os dejetos de seus “senhores”. A diferença é que a porquice não está vinculada à classe social, assim como não está a boa educação dada em casa. A ESCOLARIDADE é dever do ESTADO, mas a educação recebemos em casa dos mais velhos, dos exemplos. O sistema político brasileiro, como um todo, é falho. Assim como a democracia é imperfeita pois precisa ser repensada e reavivada a cada dia, Ser adequada ao tempo em que se vive. A democracia É a única saída para qualquer crise, assim como a educação também o é. Tenho exemplos em minha família de pessoas do mais alto gabarito de escolaridade, assim como tenho de pessoas com baixa escolaridade e uma educação fantástica. Política se faz no cotidiano e por todos nós, quer você aceite ou não, quer você queira ou não. E este É SIM MEU POSICIONAMENTO POLÍTICO APARTIDÁRIO. Não falo em outro nome a não ser no meu. Ah, eu li a matéria e vi o vídeo. Não seja um imbecil replicador apenas.

link da matéria https://theintercept.com/2018/05/26/professor-da-rede-publica-de-sao-paulo-cata-lixo-para-sobreviver/

Felino

Ronrono a teus pés,
caminho entre suas pernas
passando meu corpo no teu.
Te busco, deitada na cama,
descansando do dia e suas chatices,
busco teu afago querido e quisto.
Mio baixo, manhoso, conquistando um espaço,
Brinco com seus cabelos,
Mordisco a ponta de seus dedos.
Te vejo sorrindo
enquanto meus bigodes acariciam a palma de sua mão.
Você sabe que, por mais que eu fuja,
Sempre volto.
Aqui é minha casa,
Você é minha companhia.

"Um fornilho cheio e café. Ainda vivo"

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17 de novembro

escrevo no papel da verossimilhança, mas nunca da vida real.