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para aquelas coisas que não damos nomes.

Acróstico 12 fev. 2011

Gosto de você

Assim mesmo, do meu jeito

Brincando com palavras

Rindo desses desencontros

Igual a um insano poeta que caminha em paz

Enquanto sua alma escorrega pelos olhos lacrimejantes

Longe de todo sentido o afeto torna-se fato

Amanhã deixarei um presente em sua caixa de correio.

 

poema sem título

Você é uma estrada

Sinuosa

Como bailaria num palco cheio de luz.

Uma menina doce que tem em seu peito

A paixão simples porque é verdadeira,

Um dia você aprende que todas as dores cessam

E todas as feridas se fecham.

Me interesso mais em te fazer sorrir do que em te fazer gozar.

Nem todos te deixaram, ainda fiquei aqui

Velando teu sono distante

Como um louco que caminha debaixo de chuva

E ama a madrugada

Você deveria ser minha.

(Madrugada de 12 de fevereiro,2011(01h23) )

 

 

 

Domingo tem Cine Clube no Ponto de Cultura

 

O Ponto de Cultura “Teatro Gera Vida, Vida Gera Teatro” traz mais uma novidade é a montagem de um Cine Clube que funcionará a partir do próximo domingo dia 13 a partir das 20h30 com entrada franca na sede do Ponto que fica na Rua Antônio José Lemos, 45 Vila Indústria. O projeto surgiu das conversas entre a direção do Ponto e antigos membros do grupo “Oficinas da Tribo” Marcel Lourenção e Eduardo “Jim” Duran que tinham interesse em voltar a discutir e fomentar o áudio visual e a sua prática em Tupã. A intenção é em principio exibir filmes fora do eixo comercial. Sejam eles documentários, ficção, animação, grandes produções e cinema marginal. O Cine Clube Ponto de Cultura, não servirá apenas para que se assista os filmes, mas também, ao final de cada exibição haverá um bate papo entre os presentes. Estão previstos encontros quinzenais para a exibição de filmes e discussões. Para essa primeira reunião serão apresentados três filmes feitos por tupãenses. “A História do Menino da Tábua” do jornalista Higor Bonjardim, “Os Loucos” do ator Eduardo “Jim” Duran e um vídeo dos alunos da escola Irene Resina Migliorucci dirigido por Lucas Redressa.

Uma tarde no museu

 

Tarde de quinta-feira passada resolvi seguir indicação do amigo Tiago Pettenuci e ir fazer uma visita ao reformado Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre. Primeiro tenho que assumir que sempre desconfio quando algo muda dessa forma. Vivi naquele espaço muita coisa boa, visito o museu desde que a Biblioteca Municipal funcionava ali, acanhada como uma coruja sábia em ninho alheio, então vê-lo de outra forma que não aquela já me causava uma antipatia sem sentido, mas real. Em contrapartida estava a opinião do caro jornalista e entre o fazer e o não fazer venceu a primeira opção.

Já de fora se vê que as mudanças foram necessárias como a adequação do espaço publico para garantir ao portador de qualquer necessidade especial e exigida por lei.  Então aquela rampa já me deixou feliz. Uma vergonha é prédio sem acesso livre ou dificultado pela ignorância impensada de estetas falidos.

O fato de que o interior está mais escuro me causou uma boa sensação e me remeteu a alguns espaços que visitei como o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. A iluminação cria um clima especial e realçam as peças expostas de uma forma que não era possível antes. Claro que não agradou a todos, mas não se pode pensar em realizar dessa forma. A beleza do interior e a disposição das peças, com a iluminação certa e os recursos empregados valorizam e prendem a atenção ao que estamos vendo. Ficou intimista, convidativo, confortável e funcional que é para mim algo de grande valia, ainda mais em se tratando de um espaço público destinado ao aprendizado de quem somos e como chegamos até aqui.

Pelo amor de Deus, museu não tem que parecer casa de tia velha com móveis cheios de paninhos para proteger da poeira e um cheiro que não se sabe de onde vem, mas é de algo que mofa. Porque não pode ser moderno e belo? Aliás, funcional, belo e moderno é também o site do Museu que pode ser acessado em http://www.museuindiavanuire.org.br/ uma pequena prova de o que visitante pode esperar encontrar. Reparem com atenção na projeção feita para contar a história de nossa cidade, material audiovisual bem feito, claro, objetivo. Interessa se perguntar porque demorou tanto, mas interesse maior está em se permitir mergulhar no novo para rever o passado.

Algumas peças não estão expostas, acervadas ficaram na memória de quem já viu. Os animais empalhados, as cobras nos potes, a cabeça diminuta para a qual adorava criar histórias. Mas relaxem que o tempo é cíclico e logo ela ressurge.

Um diferencial que sempre teve no Museu era a qualidade de recepção e atendimento do visitante. Não é em todo espaço que éramos recebidos com um sorriso real de boas vindas e muito menos com atenção sincera de quem curte o que faz. Não é só um trabalho, mas uma forma de levar o nome de nossa cidade a outros cantos. Receber bem o turista ou mesmo o morador citadino é uma arte que a equipe da Tamimi Borsatto sempre cumpriu de forma marcante. Ao amigo leitor eu digo que relaxe porque ele encontrará esse quesito exatamente com a mesma qualidade. É bom sermos tratados com respeito e educação por pessoas que merecem de nós o mesmo gentil tratamento. Essa tarde no museu me trouxe um gosto de infância perdida entre as três décadas que vivi. Aqui fica o convite para que se percam lá dentro e que se encontrem também.

 

Eduardo Duran é teatrólogo, escritor. Formado em Letras.

Escrito entre 3 e 4 de feve 2011 publicado no Jornal Diário dia 09 de fevereiro de 2011