Arquivo da categoria: Dias Comuns

Café da tarde

Água que se prepara para ebulir
borbulhar,
dançar no ritmo frenético,
atiçado pelo fogo.
Perto, na pia, estão os aparatos
preparados para o liberar o aroma,
que será recebido pelo olfato,
como amante insaciável
do forte sabor.
Desastrado, que sou
caminho com cuidado
levando a água.
A derramo sobre o pó escuro
e logo somos invadidos
como se o corpo todo já se esquentasse
e despertasse de um sono qualquer.
O som da água atravessando o pó
o filtro,
caindo na jarra.
Aumenta a ansiedade e vontade.
Papo animado em volta da mesa,
poesia, risada e Belchior em “Alucinação”.
Xícara prontas,
recebem a bebida em sagrada comunhão,
amizade firmada no gosto vivo do café,
enquanto a xícara esquenta
as mãos da poeta Lilian Aquino.

Miss L

Estou fazendo umas correções em antigos escritos. Erros de digitação e coisas assim, algumas coisas de ortografia também. Encontrei um bem legal que dediquei a uma tal de “Miss L.”, nem me lembro quem era… e como diz o Sodrex. “A arte serve para disfarçar a mediocridade da vida.”

Então a vida é mesmo assim
O cigarro não queima mais
É o cachimbo cheio que ameniza a dor e a discórdia…
Dentro de mim mora o caos.
Teus olhos me encaram e eu sinto tua boca.
Lambendo-me e engolindo
E eu
Indo mais fundo,
Deixo-te em pé e beijo teu colo
Tua barriga e tuas coxas,
Perco-me em teu gosto
Gozo e suor me abençoam.
Tuas unhas tatuam minhas costas
Minha boca sela a tua
Minha língua é tua
Como nossos são os minutos noturnos.
Nos entregamos entre uivos,
Como cães encoleirados ao desejo.

Renato Russo 51 anos.


Hoje seria o 51º aniversário do Renato Russo. Um cara a quem devo alguns dos bons momentos de minha adolescência e juventude. Sempre comemoro esse dia porque ele merece nossa lembrança mais carinhosa. A Legião Urbana tem uma importância enorme em minha vida. Ouvindo os discos deles eume reuni aos meus melhores amigos e nos mantemos unidos até hoje. A morte de Renato nos abalou de uma forma que não havíamos sofrido até então. Quando Raul Seixas morreu eu tinha 11 anos, sabia que não teria mais novidades dele e estava enganado graças ao grande Sylvio Passos. Cazuza morreu e eu tinha 10 anos, minha irmã mais velha tinha um LP de “Burguesia” e a gente ouvia isso pra caralho aqui em casa.
Com a morte de Renato tudo foi mais foda porque a gente perdia mesmo aquele cara que nos dava uns toques e sempre dizia que aquilo tudo eram apenas canções. Mentira dele, aquilo era poesia e sofrimento de toda uma geração que ficou sem o irmão mais velho mesmo. Ele era o cara que escrevia o que eu queria ter escrito, da mesma forma e com as mesmas palavras.
Com a Legião eu aprendi que amizade é a forma mais forte de amar uma pessoa sem o problema de haver divórcio. Amo meus amigos daquela época e ainda nos reunimos pra ouvir os toques. Enquanto digito isso eu ouço bem alto aqui em meu headphone 1965(Duas Tribos) que é uma das músicas preferidas de meu amigo/irmão Wander The Killer. É isso. Relembrar Renato Russo é relembrar os bons amigos que tivemos e temos. E é bom saber que ele não ficará guardado na memória, tem uma geração que chega que precisa saber que “quando se aprende a amar o mundo passa a ser seu”. Mariana Sat´anna o chama de um dos mestres aqui no msn, eu assino embaixo
Por isso sempre e sempre teremos tatuados na alma :URBANA LEGIO OMNIA VINCIT

FORÇA SEMPRE, SEMPRE EM FRENTE

1965 (Duas Tribos)
Legião Urbana
Composição: Dado Vila-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Vou passar
Quero ver
Volta aqui
Vem você
Como foi
Nem sentiu
Se era falso
Ou fevereiro
Temos paz
Temos tempo
Chegou a hora
E agora é aqui.
Cortaram meus braços
Cortaram minhas mãos
Cortaram minhas pernas
Num dia de verão
Num dia de verão
Num dia de verão
Podia ser meu pai
Podia ser meu irmão
Não se esqueça
Temos sorte
E agora é aqui
Quando querem transformar
Dignidade em doença
Quando querem transformar
Inteligência em traição
Quando querem transformar
Estupidez em recompensa
Quando querem transformar
Esperança em maldição:
É o bem contra o mal
E você de que lado está?
Estou do lado do bem
E você de que lado está?
Estou do lado do bem.
Com a luz e com os anjos

Mataram um menino
Tinha arma de verdade
Tinha arma nenhuma
Tinha arma de brinquedo
Eu tenho autorama
Eu tenho Hanna-Barbera
Eu tenho pêra, uva e maçã
Eu tenho Guanabara
E modelos revell
O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país
Em toda e qualquer situação
Eu quero tudo pra cima
Pra cima

dica literária

Hoje quero indicar um livro de um escritor de língua espanhola. Irmão da minha querida Guismo Sol. Li o seu primeiro livro quando ainda morava em Salvador e a história ainda está em mim. Muito boa sua escrita e a forma em que descreve suas personagens.

 

 

 

 

 

 

 

Ecos revolucionarios
Luchadores sociales, Uruguay, 1968-1973

Barcelona, 2003
nóos editorial
Rodrigo Vescovi Parrilla
570 págs.

En la “Soli 314” os presentábamos la novela “Ladrones de la infancia”, anunciándoos en aquella ocasión la reseña de la obra que hoy os presentamos: “Ecos revolucionarios, Luchadores sociales, Uruguay, 1968-1973”. Escrita por este joven historiador uruguayo afincado en Barcelona, es quizá el trabajo más exhaustivo ya no sólo de su trayectoria personal, sino de la historia contemporánea uruguaya en lo concerniente a las luchas sociales acaecidas durante esos años. De ahí la buena acogida que está teniendo en aquél país.
“Si con la lectura de esta obra se ha reflexionado, llorado, reído, temido, gozado, sufrido, amado, soñado, odiado, luchado y aprendido, el objetivo estará cumplido. Se habrá vivenciado una parte importante de lo que hicieron y sintieron los luchadores sociales en Uruguay desde 1968 hasta 1973”, relata el autor.
El libro recoge la fuerza y la radicalidad de un sector combativo de la población uruguaya que, ante la crisis, el deterioro de su nivel de vida y el aumento de la miseria propia o ajena, no se caracterizó por la lamentación contemplativa ni por esperar a que la izquierda gestionara la injusticia social desde el Parlamento. Rechazó el miedo, la espera y el reformismo; y volcó toda su existencia en el combate contra el sistema capitalista para alcanzar una sociedad sin clases, caracterizada por la existencia de una verdadera comunidad humana.
En el compromiso militante, los combatientes vieron acabar su cotidianidad. En apartados tan necesarios como “Amor en tiempos de lucha”, “Género y militancia” y “Los hijos de los luchadores sociales”, los testimonios analizan, de forma introspectiva, los avatares de aquel período lleno de muertes pero, sobre todo, de capacidad de luchar por la vida.