“Minha razão de viver” Biografia de Samuel Wainer

O jornalista Samuel Wainer desde cedo esteve muito próximo ao poder. Ainda quando era funcionário de Assis Chateubriand  e dos Associados acabou conhecendo, em uma viagem ao sul, o ex ditador Getúlio Vargas de quem se tornaria grande amigo e defensor, na mesma oportunidade conheceu também João Goulart. Depois foi “amigo” de J.K. também, ou seja, tinha quase uma cadeira cativa seja no Catete, seja no Planalto. Por isso sua história é tão importante para o século XX no Brasil  e por isso fiquei tão feliz em reler a biografia “Minha razão de Viver – Memórias de um Repórter” lançado originalmente em 1987 pela Record com 282 págs. Tenho a 18ª edição de 2001 e que me permitiu reler depois de 20 anos uma história que conhecia que havia sido esquecido no meio de tanta coisa em minha cabeçorra.
Primeiro de tudo é conhecer não só o homem Samuel, envolto a vida toda com a sacro missão de noticiar, de ser espectador e narrador em primeiro plano de nossa história, sobretudo a questão política, a questão do petróleo de nosso país nos anos 40/50. Tentar entender de onde veio esse filho de imigrantes bessarabianos, trabalhador desde muito cedo foi construindo seu caminho que levaria a um império importantíssimo como foi o jornal “Última Hora” que se espalhou por algumas capitais brasileiras e outras cidades. Os relatos saborosos sobre seus momentos de correspondente de guerra, de ter feito a cobertura do julgamento de Nuremberg, de sua amizade com Orson Welles, de seus muitos momentos diante de fatos ímpares.
A história, em primeira pessoa (autobiografia, né?), nos leva a participar de alguns desses momentos que lemos e aprendemos na época em que estudamos. Ter o relato de quem foi, muitas vezes, testemunha e, mesmo em alguns casos, ser personagem.
Foi em uma matéria escrita por Wainer que Getúlio saiu do exílio em São Borja para a eleição presidencial de 1950 e mais adiante saiu da vida para entrar na história.

Wainer e Getúlio , amigos e cúmplices

Foi através de Getúlio que nasceu, inclusive, a Última Hora. Foi uma ideia dada pelo presidente e também obteve do homem algumas facilidades junto a alguns amigos e instituições. E é justamente neste ponto em que me senti o mais imbecil dos néscios. Quando li a primeira vez este livro não me calou tão grandemente as falcatruas relatadas no livro. Como podemos ter achado, em algum momento, que malas de dinheiro que vem e vão, seriam normais e/ou aceitáveis. Mas é justamente isso que Wainer relata, não só que soubesse da entrega de algumas dessas malas, como ele mesmo as levou algumas vezes. Relata os fatos com uma paz danada, ciente de que esses atos também fizeram parte de sua história. Poxa e eu estava gostando do relato da guerra entre o narrador/personagem e o corvo Carlos Lacerda (um dos personagens de nossa história moderna por quem nunca nutri nenhum tipo de simpatia).  Mas fica o valor do relato e a chance de conhecermos e repensarmos o Brasil que somos e porque somos. O livro vale por seu registro e também pelo fato de não ser percebido que o autor tenha se poupado ao recontar sua vida e seus feitos. Se puder, leia e tire suas conclusões.

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Sobre Jim Duran

Professor, escritor, ator. Já foi chamado de Caminhante Noturno, já teve seus dramas e risos, lágrimas e desespero.
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