“A mulher calada – Sylvia Plath, Ted Hughes e os limites da biografia” de Janet Malcolm

capa da edição brasileira

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Comecei janeiro lendo um dos gêneros que mais gosto, biografia. Na verdade não é bem uma biografia, mas uma biografia de biografias escritas sobre a poetisa norte-americana Sylvia Plath. Escrito pela jornalista Janet Malcolm e publicado aqui pelo selo Companhia de Bolso da Cia das Letras, o livro pretende demonstrar, através da análise de algumas trabalhos publicados sobre Plath e seu universo íntimo e laboral, como é tênue a linha que separa o trabalho sério de contar a história de alguém e como tratar tudo de uma forma não tão respeitosa, o que é fato real e o que é ficção.
A intenção em demonstrar que parte do processo que envolve a produção de uma obra deste gênero não é navegar em águas tranquilas (trato com familiares, amigos, agentes, detentores de direitos autorais, pessoas que simplesmente acham que tem alguma boa história com o biografado e outras situações), fica claro quando somos apresentados ao ex marido (o poeta Ted Hughes) e sua irmã (Olwyn) que vem a ser a responsável pelo espólio literário de Plath. Por mais que a autora Janet Malcolm deixe claro que ela faz uma defesa em nome dos irmãos e, creiam, eles precisam. Os Hughes são tratados sempre como coitadinhos, como vítimas de um mundo cruel onde todos só se interessam pela história da poetisa que tira a própria vida, relegando a todos um papel secundário em sua própria vida.
Por este fato permear toda a escrita, e se apresentar como uma batalha sem fim, a leitura tornou-se, para mim, um tanto quanto arrastada. Difícil avançar nas mais de 230 páginas. Janet conta como foi a sua conversa com os autores das biografias e como foi o trâmite deles com o espólio, visto que Ted só se envolve quando o assunto perturba demais os Hughes, as trocas de cartas, farpas e o calvário que deve ter sido tratar deste assunto com essas pessoas. A própria Janet teve certa dificuldade ao tratar com Olwyn, que me parece um tanto caracterizada como vilã de filme B, aquelas chatas que acham que o mundo todo sente inveja do talento, da beleza e do caráter do irmão. Ela própria é um colosso diante da humanidade tão cheia de defeitos e pequenez, com sua mania de tratar o mito de Sylvia melhor do que talvez tratariam a própria. Ainda segundo a análise feita pela jornalista, desde a morte da poetisa, ocorrida em 1963, ainda não houve a publicação de uma única boa biografia sobre ela, nenhuma, todo material que pode ser considerado lixo. Mas os irmãos Hughes, ah… esses são demais.
Enfim, uma leitura que faria de novo? Provavelmente não.

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Sobre Jim Duran

Professor, escritor, ator. Já foi chamado de Caminhante Noturno, já teve seus dramas e risos, lágrimas e desespero.
Esse post foi publicado em Diários do Caminhante Noturno. Bookmark o link permanente.

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