“Shakespeare and Company”.

Já disse aqui que quando eu  era adolescente descobri Hemingway e suas histórias cheias de aventuras. Desde pequeno eu já tinha a companhia de Conan Doyle e agora tinha um outro herói. Descobri a história por trás do autor de “Por quem os sinos dobram” e adorei aquele lance de “Geração Perdida” e todos os outros autores e livros que surgiram na Paris da década de 20. Outros nomes que povoaram minha cabeça foram Faulkner, Fitzgerald, Ezra Pound (que sempre achei um figura) além de Gertrude Stein e Sylvia Beach. É justamente sobre ela que quero falar.
Li recentemente a autobiografia de Miss Beach, “Shakespeare and Company – Uma livraria na Paris do entre-guerras” lançado aqui no Brasil pela Casa da Palavra e com tradução de Cristiana Serra. A história que ela nos conta é simplesmente deliciosa de mergulhar. É mais que uma viagem ao tempo, é mais um cosplay do filme “Meia-noite em Paris” do Woody Allen. É como se você abrisse a porta de casa e estivesse um Ford me esperando para me levar até a Rue de l’Odéon 12, para me encontrar com Sylvia e discutir um pouco de literatura e ver os grandes autores da primeira metade do século XX entrarem pela porta.

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Sylvia e James Joyce

A importância de Sylvia para o mundo literário, na minha opinião, é dupla. Primeiro porque montou uma livraria que acabou se tornando um centro nervoso criativo e aglutinador de autores que se tornariam ícones (alguns já eram grandes), ela soube lidar com os problemas normais de um empreendimento comercial e foi além. Era uma livraria especializada em literatura de língua inglesa e servia como uma espécia de Correios informal para os amigos que não tinham parada certa na cidade luz. A Shakespeare and Co. era também uma espécia de biblioteca, imagine que barato poder saber quais eram os autores lidos pelos autores que lemos?

Sylvia Beach e Adrienne Monnier

Sylvia Beach e Adrienne Monnier

Mas vamos ao que interessa, o livro: Em determinados momentos pensei que se tratava de uma biografia disfarçada de James Joyce, tantas vezes ele é citado. De longe é a pessoa que mais aparece além de Sylvia e Adrienne. Não que isso tenha sido um problema e nem que esteja ali sem um propósito ou necessidade. Os detalhes da vida do autor, suas maninas e dificuldades (tanto as financeiras quanto as de saúde) estão retratadas de forma leve e respeitosa.

Sylvia e Joyce

Sylvia e Joyce

A história é focada principalmente nos anos 20, a livraria em si existiu dos fins da primeira década até meados dos anos 40, então a leitura é gostosa mas sem um tom saudosista. É claro que Sylvia sabia da grandiosidade do período em que vivia e das relações que mantinha por conta da S&C.  O entre guerras foi um período de intensa produção cultural, basta pensar no tanto de movimentos que surgiram ali, não só em Paris ou na Europa, mas aqui mesmo nas Américas.

James Joyce e Ezra Puond

James Joyce e Ezra Puond

Havia uma necessidade de criar, de produzir, de debater a vida através da arte. Boa parte das pessoas que movimentavam o mundo das artes naqueles anos e estavam na Europa ou de passagem por Paris visitavam o local e procuravam pela proprietária. Ela havia se tornado mais do que uma livreira, tornou-se também personagem deste imenso mundo. Era respeitada e admirada, querida e confidente de alguns dos maiores. Por isso mesmo deve ter sido difícil a escrita do livro. Manter as histórias dentro do que seria aceitável para que  nada pudesse manchar o nome dos amigos.

Sylvia e Ernest Hemingway

Sylvia e Ernest Hemingway

S&C deve ser lido por quem ama literatura, história, boas aventuras e para quem quer entender melhor um pouco do período que é retratado. Sylvia permaneceu em Paris até sua morte em 1962, recebeu grande homenagem e o reconhecimento por sua história e importância para o mundo literário moderno.

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Sobre Jim Duran

Professor, escritor, ator. Já foi chamado de Caminhante Noturno, já teve seus dramas e risos, lágrimas e desespero.
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