Alameda Olavo Bilac

Praça da Bandeira. à direita, abaixo, vemos o Cine Riviera e a rua em frente é alameda.

Praça da Bandeira. à direita vemos o Cine Riviera e a rua em frente é alameda.

A cidade em que cresci já não é a mesma, fisicamente, em que caminho agora. A minha cidade, com meus lugares preferidos e casas com arquitetura dos anos 40 a 60, já não é vista por todos. Ela só existe em minha memória, assim como cada um deve ter a sua própria cidade do jeito que se lembra. Prédios que adorava ver foram demolidos ou reformados de uma forma que os descaracterizaram e, quando isso ocorre, prefiro o registro da imagem que ficou em minha memória. Umas das coisas que sinto falta é o murinho em frente à casa em que morou o Professor Altino Martinez, achava um barato e, na minha opinião, combinava bem mais com a casa. Sinto saudade do calçadão na Rua Potiguaras, do Cine Riviera, Mas quero falar de um outro espaço.
Adorava caminhar pela Praça da Bandeira, ou mesmo sentar em algum banco e ficar um pouco matando o tempo. Meu banco preferido era aquele sobre a figueira de bengala que caiu alguns anos atrás durante uma tempestade. Agora está crescendo novamente, mas nem chega perto daquela beleza que era, um dia ela chega lá. A nossa praça tinha formato de bandeira mesmo, quem duvida é só procurar antigas fotos aqui na internet, no livro que conta a história da cidade, uma visita ao Museu ou ao Solar Luiz de Souza Leão. Era linda com suas construções características. Era gostoso também ficar sentado na concha acústica que ficava em frente ao Bartira. Me lembro de ir buscar meus irmãos que estudavam lá e ficava um tempão conversando com os amigos protegidos do sol ali na tal concha.  Saudade daquela praça.
Caminhava sempre em direção ao cine Riviera e ficava ali na calçada tentando entender porque ele estava fechado, porque não havia, na época, cinema em Tupã. Quando fui crescendo passei a encontrar meus amigos do colégio ali naquela rua pequenina que era uma das quais dava o formato de losango para aquele quarteirão em que fica a Matriz. Corri de bicicleta, já caí algumas vezes naquele asfalto esfarelento que tinha ali, namorei, matei aula, esperava a Paula ali. Saia da Biblioteca Municipal quando funcionava ali na Rua Cherentes e começava a devorar o livro sentado nos bancos, curtindo a sombra das árvores. Ali, na Alameda Olavo Bilac, passei bons momentos de minha adolescência com os melhores amigos que tive. Era mágico porque era simples e eu gostaria de ter aproveitado bem mais aquele espaço.  Ali também chorei algumas vezes, comemorei as apresentações que havia feito na Casa de Cultura Altino Martinez.  A saudade tem uma forma estranha de agir, é um bilhete para uma viagem de trem em que não temos certeza do destino e nem mesmo das imagens que irão surgindo na paisagem da memória. É uma viagem curta, porque a vida real nos chama de volta e temos que vir, não há remédio contra o fato.
Tupã já foi uma cidade tão mais bonita e charmosa, tão mais convidativa sem os seus argumentos que não funcionam hoje. Pode parecer que não gosto das mudanças que ocorreram com a Praça da Bandeira, não quero deixar sombra de dúvida, não gostei e não gosto, mas é uma questão particular e não cabe discussão. Ah saudade tanta da praça de minha infância e adolescência em que não haviam estas marcas em sua pele. A cidade em que moro vai me reconquistando a cada dia em que descubro (ou revisito) algum ponto em que posso deixar a marca do meu passo, já que o passar é efêmero e nem mesmo as ruas são eternas.

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Sobre Jim Duran

Professor, escritor, ator. Já foi chamado de Caminhante Noturno, já teve seus dramas e risos, lágrimas e desespero.
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