artigo sobre 100 anos do Prof. Altino e explicação sobre a publicação em jornal.

Escrevi, a pedido do pessoal da Ágora Cultural, um artigo falando sobre os 100 anos do Professor Altino Martinez e de sua importância para a vida cultural de nossa cidade. O referido texto seria enviado a um jornal da cidade para abertura de uma coluna que terá a publicação de cerca de quarenta poemas de autoria do professor. Abaixo publico aqui como foi que escrevi o texto que foi alterado e publicado como se tivesse sido uma entrevista comigo e ainda contendo informações completamente equivocadas e meu nome grafado errado, ora eu assino o artigo e como conseguiram?

Altino Martinez  faria 100 anos e sua poesia é viva.

                Tupã tem em sua história um homem que conquistou seu espaço de destaque na sua história através de sua competência, carisma e exemplo. Altino Rodrigues da Costa Martinez não nasceu aqui, mas escolheu Tupã para viver ao lado de sua esposa Ângela e seus filhos. Aqui foi professor, autor, poeta, diretor de teatro e influenciou toda uma geração de pessoas que tiveram contato direto com o mestre em carinho. Foi preso político e transformou o relato em livro, transformou o instante em eterno. Altino cuidou dos jovens de sua época dando a eles uma chance de explorar um talento que, talvez, sem ele passasse despercebido ou valorizado. Foi um dos grandes nomes do movimento teatral local e por isso recebeu em vida a homenagem de ter seu nome ligado à Casa da Cultura por quem eu e tantos outros passamos. Aliás, este é um espaço que poderia e deveria ser tombado para que se preservasse de alguma forma não só o local, mas também a memória deste importante educador e cidadão. Altino Martinez morreu na segunda metade dos anos 80 e deixou uma obra literária e um vazio que durante anos permaneceu engolindo a cena cultural tupãense até que os poucos que estavam ainda na labuta reuniram-se e tivemos um recomeço lento e no momento estamos pegando velocidade e firmeza no passo.

                A Ágora Cultural criou há alguns anos a Mostra  Cultural Altino Martinez e tive a honra de participar tanto da criação quanto de todas as edições de uma forma ou outra. Uma semana em que alunos de escolas estaduais, municipais, particular, de ensino superior mostram trabalhos artísticos desenvolvidos por eles. É uma grande chance de o estudante tupãense mostrar o que anda produzindo, sabemos que há muitos que fazem e poucos chegam a mostrar o resultado para alguém, sobretudo em expressões cuja criação tende a ser mais solitária como o desenho e a literatura. Este festival não rende nenhum bônus financeiro, nenhum ganho material, nenhuma forma de enriquecimento de seus realizadores e mesmo assim algumas pessoas tentam minar sua realização, sempre foi assim. Me pergunto se não o fazem pelo simples fato de que deixaram o nome Altino Martinez esquecido por tanto tempo e quando a sociedade civil cumpriu seu papel não fico chato demais para eles os defensores de legendas, porque de cultura defendiam bem pouco. Foram mais de vinte anos deste lapso vergonhoso.

                Este ano Altino completaria cem anos de vida, uma vida produtiva e dedicada ao engrandecimento do outro. Doou-se como mestre, como cidadão e como exemplo de luta diante da mordaça dos poderosos. Não foi daqueles de arroubos violentos, mas ganhou pelo o que tinha de melhor: seu caráter e inteligência. A Ágora Cultural começa a preparar a próxima edição de sua mostra e também inicia um ciclo de publicação dos poemas escritos pelo professor Altino e reunidos em seu livro “Sementes a esmo” para que todos possam ou conhecer ou relembrar deste querido cidadão. Fiquem alerta meus caros tupãenses (ou tupanenses) serão dias de bons poemas e uma ótima lembrança e companhia, a cidade inteira seria o quintal de uma certa casa na rua Caingangues perto da Avenida Tapuias. Altino vive.

Jim Duran

Escritor e ator, formado em Letras e homenageado no segmento literatura na Mostra Altino Martinez do ano passado.

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Sobre Jim Duran

Professor, escritor, ator. Já foi chamado de Caminhante Noturno, já teve seus dramas e risos, lágrimas e desespero.
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