Uma tarde no museu

 

Tarde de quinta-feira passada resolvi seguir indicação do amigo Tiago Pettenuci e ir fazer uma visita ao reformado Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre. Primeiro tenho que assumir que sempre desconfio quando algo muda dessa forma. Vivi naquele espaço muita coisa boa, visito o museu desde que a Biblioteca Municipal funcionava ali, acanhada como uma coruja sábia em ninho alheio, então vê-lo de outra forma que não aquela já me causava uma antipatia sem sentido, mas real. Em contrapartida estava a opinião do caro jornalista e entre o fazer e o não fazer venceu a primeira opção.

Já de fora se vê que as mudanças foram necessárias como a adequação do espaço publico para garantir ao portador de qualquer necessidade especial e exigida por lei.  Então aquela rampa já me deixou feliz. Uma vergonha é prédio sem acesso livre ou dificultado pela ignorância impensada de estetas falidos.

O fato de que o interior está mais escuro me causou uma boa sensação e me remeteu a alguns espaços que visitei como o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. A iluminação cria um clima especial e realçam as peças expostas de uma forma que não era possível antes. Claro que não agradou a todos, mas não se pode pensar em realizar dessa forma. A beleza do interior e a disposição das peças, com a iluminação certa e os recursos empregados valorizam e prendem a atenção ao que estamos vendo. Ficou intimista, convidativo, confortável e funcional que é para mim algo de grande valia, ainda mais em se tratando de um espaço público destinado ao aprendizado de quem somos e como chegamos até aqui.

Pelo amor de Deus, museu não tem que parecer casa de tia velha com móveis cheios de paninhos para proteger da poeira e um cheiro que não se sabe de onde vem, mas é de algo que mofa. Porque não pode ser moderno e belo? Aliás, funcional, belo e moderno é também o site do Museu que pode ser acessado em http://www.museuindiavanuire.org.br/ uma pequena prova de o que visitante pode esperar encontrar. Reparem com atenção na projeção feita para contar a história de nossa cidade, material audiovisual bem feito, claro, objetivo. Interessa se perguntar porque demorou tanto, mas interesse maior está em se permitir mergulhar no novo para rever o passado.

Algumas peças não estão expostas, acervadas ficaram na memória de quem já viu. Os animais empalhados, as cobras nos potes, a cabeça diminuta para a qual adorava criar histórias. Mas relaxem que o tempo é cíclico e logo ela ressurge.

Um diferencial que sempre teve no Museu era a qualidade de recepção e atendimento do visitante. Não é em todo espaço que éramos recebidos com um sorriso real de boas vindas e muito menos com atenção sincera de quem curte o que faz. Não é só um trabalho, mas uma forma de levar o nome de nossa cidade a outros cantos. Receber bem o turista ou mesmo o morador citadino é uma arte que a equipe da Tamimi Borsatto sempre cumpriu de forma marcante. Ao amigo leitor eu digo que relaxe porque ele encontrará esse quesito exatamente com a mesma qualidade. É bom sermos tratados com respeito e educação por pessoas que merecem de nós o mesmo gentil tratamento. Essa tarde no museu me trouxe um gosto de infância perdida entre as três décadas que vivi. Aqui fica o convite para que se percam lá dentro e que se encontrem também.

 

Eduardo Duran é teatrólogo, escritor. Formado em Letras.

Escrito entre 3 e 4 de feve 2011 publicado no Jornal Diário dia 09 de fevereiro de 2011

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Sobre Jim Duran

Professor, escritor, ator. Já foi chamado de Caminhante Noturno, já teve seus dramas e risos, lágrimas e desespero.
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